O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera as intenções de voto para 2026, mas 59% dos eleitores afirmam que ele não merece um quarto mandato, segundo pesquisa Indexa divulgada nesta quarta-feira (27).
O índice é o mais alto da série de levantamentos realizados em 2026. Em janeiro, o Paraná Pesquisas registrava 51% de eleitores contrários à reeleição. Em março, o instituto mediu 53,3%. Em fevereiro, o Genial/Quaest apurou 55%. Em 6 de maio, o Meio/Ideia chegou a 52%. A Indexa agora aponta que quase seis em cada dez brasileiros são contrários à permanência de Lula no Palácio do Planalto por mais quatro anos.
A Indexa ouviu 2 mil eleitores por telefone entre 22 e 24 de maio, em todo o país. No principal cenário de intenção de voto, Lula aparece com 39%, contra 30% do senador Flávio Bolsonaro (PL-SP). Em simulação de segundo turno entre os dois, o presidente vence por 46% a 41%. Entre os entrevistados que declaram voto em Lula, 83% dizem que devem manter a escolha até a eleição; entre os de Flávio Bolsonaro, 74% afirmam ter decisão definitiva.
Rejeição cresce desde o início do ano
A escalada da rejeição ao quarto mandato acompanha a queda na avaliação do governo. Pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em abril mostrou 52,5% de desaprovação à gestão Lula, contra 46,8% de aprovação. Os números indicam que a resistência à reeleição não se restringe à disputa eleitoral, mas reflete também o desempenho do governo ao longo de 2026.
O quadro regional é desfavorável em quase todo o país. No Sul, a rejeição ao quarto mandato atinge 66,1% no Paraná — o maior índice entre os estados medidos pelo Paraná Pesquisas. No Centro-Oeste, 43,3% classificam a gestão como péssima, segundo o Meio/Ideia. O Nordeste é a única região com maioria favorável à reeleição: 54,8%, conforme o Paraná Pesquisas.
Liderança e rejeição no mesmo nome
O paradoxo de Lula liderar as intenções de voto e, ao mesmo tempo, concentrar a maior rejeição se sustenta na fragmentação da oposição e na ausência de Jair Bolsonaro da disputa. Com o ex-presidente inelegível, nomes como Flávio Bolsonaro, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro disputam o espólio eleitoral, mas nenhum conseguiu, até agora, transformar a rejeição ao governo em vantagem nas projeções de primeiro turno.
Pesquisa anterior do PIRANOT sobre o impacto de escândalos na disputa presidencial já indicava esse impasse: o eleitor demonstra baixa disposição para apoiar a continuidade, mas também não fechou em torno de um nome alternativo capaz de vencer o presidente em primeiro turno.
O que vem agora
A definição das candidaturas nas convenções partidárias deve testar se a rejeição ao quarto mandato se converte em voto para um nome competitivo da oposição — ou se permanece pulverizada entre candidatos alternativos. O Datafolha tem nova rodada prevista para os próximos dias, e deve indicar se a tendência captada pela Indexa se confirma.











