A província chinesa de Fujian e a América Latina movimentaram RMB 69,2 bilhões (R$ 47,5 bilhões) em comércio bilateral de janeiro a abril de 2026, um recorde histórico com alta de 18% sobre o mesmo período de 2025. O valor equivale a 1,9 vez o Produto Interno Bruto (PIB) de Piracicaba (SP), estimado em R$ 25 bilhões. O Brasil foi o principal motor do crescimento, com embarques recordes de veículos e soja.
Os dados foram compilados pela alfândega chinesa e divulgados pelo governo de Fujian. A província costeira, um dos principais polos industriais e portuários da China, consolidou-se como porta de entrada para produtos latino-americanos. Em contrapartida, as importações brasileiras de veículos chineses dispararam 264,6% em abril de 2026, somando US$ 783,4 milhões.
Brasil impulsiona recorde com veículos e soja
As exportações brasileiras para a China no primeiro quadrimestre de 2026 somaram US$ 35,61 bilhões, alta de 25,4% sobre 2025. O setor automotivo liderou o avanço: as vendas de veículos montados e peças para o mercado chinês cresceram 264,6% em abril, atingindo US$ 783,4 milhões. A soja, principal commodity do agronegócio brasileiro, também manteve ritmo acelerado, embora os dados específicos por produto não tenham sido detalhados no levantamento de Fujian.
“Os embarques ao mercado chinês aumentaram 17,6% entre março e abril, mantendo o país asiático como principal motor das exportações brasileiras”, apontam dados oficiais do Banco Central do Brasil. O superávit da balança comercial brasileira em abril foi de US$ 10,5 bilhões, impulsionado pela demanda chinesa.
China consolida posição de principal parceiro comercial
As importações brasileiras de produtos chineses bateram recorde de participação em abril de 2026: 25,6% do total, segundo o BCB. “China bate recorde e responde por 25,6% das importações do Brasil em abril”, registra a autoridade monetária em sua nota mensal de comércio exterior.
A relação bilateral, que completou 52 anos em 2026, aprofunda-se em ritmo acelerado. O investimento direto da China no exterior atingiu US$ 192,2 bilhões em 2024, alta de 8,4%, segundo o Ministério do Comércio chinês. Parte desse capital tem se dirigido ao Brasil, especialmente para infraestrutura e energia.
Em contraste, as exportações brasileiras para a Argentina — tradicional segundo maior parceiro na região — caíram 18,4% no primeiro quadrimestre, somando US$ 4,74 bilhões. O deslocamento do eixo comercial para a China reforça a dependência brasileira do mercado asiático.
Impacto no agronegócio e alerta na indústria automotiva
Para o Brasil, o recorde de Fujian representa mais uma etapa na integração com a economia chinesa. A província abriga grandes estaleiros e fábricas de eletrônicos e é um dos maiores mercados consumidores de minério de ferro, celulose e carnes brasileiras. A expectativa é que o fluxo continue crescendo com a retomada da economia chinesa após estímulos fiscais.
Mas o aumento das importações de veículos chineses acende alerta na indústria automotiva nacional. Em abril, o Brasil importou US$ 783,4 milhões em carros da China, um salto de 264,6% em um ano. A concorrência com os elétricos chineses deve se intensificar nos próximos meses.
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