A Polícia Federal (PF) prendeu nesta quinta-feira (14) Henrique Moura Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sob a acusação de ser o principal financiador de um grupo criminoso que ameaçava desafetos e obtinha informações sigilosas. A prisão ocorreu em Nova Lima (MG), na Grande Belo Horizonte, durante a sexta fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, além de medidas de afastamento de cargos públicos e bloqueio de bens.
A Operação Compliance Zero investiga uma organização criminosa suspeita de praticar intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos informáticos. As primeiras fases foram deflagradas em novembro de 2025 e janeiro de 2026, e já haviam mirado Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso por suspeitas de fraudes no Banco Master. A PF aponta que o banqueiro teria ocultado R$ 2,5 bilhões em contas do pai e transferido R$ 2,2 bilhões do Master para a conta de Henrique.
A investigação revelou que, mesmo após o início da operação, Henrique continuou financiando o grupo. De acordo com a decisão judicial que autorizou a prisão, mensagens extraídas do celular de Marilson Roseno da Silva, outro investigado, indicam que Henrique seguia providenciando dinheiro para a manutenção da estrutura criminosa. Em uma das conversas, Marilson cobrou pagamentos atrasados e Henrique respondeu que enviaria R$ 400 mil, valor tratado pela PF como repasse mensal ao grupo.
Mensagens mostram continuidade dos repasses
A PF destaca que Henrique não apenas financiava, mas também demandava serviços ilícitos mesmo depois de ser alvo das investigações. Entre os pedidos descritos está a busca por informações sigilosas sobre um inquérito no qual ele próprio havia sido intimado. De acordo com os autos, integrantes da organização teriam mobilizado policiais e delegados para fazer consultas indevidas em sistemas internos da Polícia Federal.
Em uma mensagem de fevereiro de 2026, citada no documento, Henrique escreveu: “hoje, tá ao contrário, eu é que estou precisando de vocês”. Para a investigação, a conversa indica que ele seguia recorrendo ao grupo mesmo depois do avanço da Compliance Zero. A PF também aponta que Henrique atuava como “solicitador e beneficiário” dos serviços, conforme trecho do relatório policial.
Repercussão e próximos passos
Os investigados podem responder por ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional. A prisão de Henrique Vorcaro representa um novo capítulo no escândalo do Banco Master, que já levou Daniel Vorcaro à prisão e gerou suspeitas de movimentações bilionárias ilícitas. A defesa de Henrique ainda não se manifestou publicamente.
O caso tem repercussão política e econômica, especialmente pelo vínculo de Henrique com a Multipar, holding que controla investimentos em diversos setores. A PF segue investigando se os recursos financeiros repassados ao grupo criminoso tinham origem nas operações do Banco Master. O STF mantém o sigilo dos autos, mas novas fases da operação não estão descartadas.
Implicações para o Banco Master
A prisão do pai de Daniel Vorcaro reforça a tese da PF de que a organização criminosa atuava de forma estruturada, com financiamento contínuo e acesso a informações privilegiadas. O fato de Henrique ter continuado a demandar serviços mesmo após ser alvo de investigação sugere que o grupo operava com alto grau de confiança e impunidade. O desdobramento do caso deve trazer novos elementos sobre a relação entre o Banco Master e as atividades ilícitas investigadas.
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