O empresário Daniel Vorcaro, investigado pela Polícia Federal, teria repassado R$ 61 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, segundo documentos e mensagens obtidos pelo Intercept Brasil. O produtor executivo Mário Frias nega o repasse e afirma que “não há um único centavo” do empresário no projeto. O filme, estrelado por Jim Caviezel no papel de Bolsonaro, retrata a primeira candidatura presidencial do ex-presidente em 2018. A produção, com previsão de estreia para 2026, ganhou destaque pelo elenco de Hollywood e pela suspeita de financiamento de Vorcaro, dono do Banco Master e alvo de investigações da PF por irregularidades financeiras.
Os documentos obtidos pelo Intercept Brasil indicam que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria negociado R$ 134 milhões com Vorcaro para o filme, valor superior ao inicialmente divulgado.
A informação contradiz declarações oficiais da produção, que sempre negou qualquer aporte do empresário.
Mário Frias nega, mas admite ‘diferença de interpretação’
Em publicação no X, o deputado federal Mário Frias (PL-SP), produtor executivo de “Dark Horse”, afirmou que “não há um único centavo de Daniel Vorcaro no filme”. A declaração foi feita após a divulgação das primeiras cenas do longa, que mostram a comparação entre os atores e os membros da família Bolsonaro.
Dias depois, Frias recuou parcialmente. Em nota, ele afirmou: “Na condição de produtor executivo do longa-metragem Dark Horse, sobre a trajetória do presidente Jair Bolsonaro, esclareço: 1. O senador Flávio Bolsonaro nunca participou de negociações financeiras do filme. 2. Houve uma diferença de interpretação sobre a origem formal de dinheiro que financiou o filme sobre o ex-presidente.”
A declaração sugere que, embora negue o envolvimento direto de Vorcaro, a produção reconhece que parte dos recursos pode ter origem questionável.
A produtora do filme, cujo nome não foi divulgado, também negou patrocínio de Vorcaro.
Até o momento, Daniel Vorcaro não se manifestou publicamente sobre as acusações.
Primeiras cenas e fundo nos EUA
A produção divulgou as primeiras imagens de “Dark Horse”, mostrando Jim Caviezel caracterizado como Jair Bolsonaro e os atores que interpretam seus filhos e aliados. As cenas foram comparadas a fotos reais da família Bolsonaro, gerando engajamento nas redes sociais.
Mário Frias informou que foi aberto um fundo patrimonial exclusivo para o filme nos Estados Unidos, com o objetivo de captar recursos internacionais. “Até cafezinho tem nota”, afirmou Frias, tentando demonstrar transparência financeira.
A estreia está prevista para o segundo semestre de 2026.
A polêmica em torno do financiamento levanta questões sobre a legalidade dos recursos e o possível uso de laranjas ou empresas de fachada. O Intercept Brasil continua investigando o caso, e novas revelações podem surgir nos próximos dias.











