Três mortes e oito infectados pelo hantavírus Andes — a única variante com transmissão comprovada entre humanos — transformaram um cruzeiro em foco de alerta sanitário global. O navio MV Hondius atracou em Tenerife, Espanha, em 10 de maio de 2026, após dias de quarentena, dando início a uma evacuação que envolve 22 países.
O surto é o primeiro associado a uma embarcação, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). Diferentemente de outros hantavírus, a cepa Andes pode passar de pessoa para pessoa por contato com fluidos corporais, o que elevou os protocolos de contenção.
A operação de desembarque, coordenada por autoridades espanholas, retira os viajantes em pequenos grupos, separados por nacionalidade. Todos usam máscaras FFP2 e são levados por botes ao porto de Granadilla, com escolta sanitária.
Risco inédito de transmissão humana a bordo
O MV Hondius registrou seis casos confirmados e dois prováveis de hantavirose, com três óbitos, de acordo com a OMS. A confirmação da cepa Andes acendeu o alerta porque, ao contrário das demais variantes, ela se espalha entre humanos.
Conforme o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC), a transmissão ocorre por contato próximo com fluidos de pessoas sintomáticas. Isso explica o isolamento rigoroso imposto aos passageiros.
“Estamos diante de um cenário epidemiológico sem precedentes para este patógeno”, afirmou a diretora do ECDC, Andrea Ammon, em comunicado. “A quarentena estendida é a única ferramenta eficaz para conter a propagação internacional.”
Manobra de evacuação em Tenerife mobiliza equipes multinacionais
A retirada começou na manhã de 10 de maio e mobiliza equipes multinacionais. Cada bote transporta um número limitado de pessoas, e a desinfecção é feita após cada travessia.
Os grupos são acompanhados por profissionais de saúde e encaminhados diretamente para áreas de quarentena designadas. Representantes diplomáticos dos 22 países envolvidos monitoram o desembarque de seus cidadãos.
A coordenação logística reflete o temor de que viajantes assintomáticos possam desencadear novas cadeias de contágio. Amostras clínicas analisadas por laboratórios de referência confirmaram a presença do RNA viral nos casos suspeitos.
Quarentena de 42 dias e risco de propagação global
Os passageiros repatriados enfrentarão isolamento de até 42 dias em seus países de origem, conforme recomendação do ECDC. O período corresponde ao longo intervalo de incubação do vírus Andes, que pode chegar a seis semanas, segundo a OMS.
A medida é justificada pela detecção de casos secundários a bordo, elevando o risco de que pessoas sem sintomas iniciem novos surtos em terra. Cada nação adotou protocolos próprios, mas o monitoramento estendido é a diretriz central.
O deslocamento de passageiros para 22 países diferentes amplia a complexidade da vigilância epidemiológica. O ECDC alerta que a detecção precoce e a adesão à quarentena são essenciais para evitar uma propagação mais ampla.
❓ Perguntas frequentes
O que é o hantavírus Andes e por que ele é mais perigoso?
O hantavírus Andes é a única variante com transmissão comprovada entre humanos, por contato com fluidos corporais de pessoas sintomáticas. Isso eleva o risco de surtos e exige quarentenas mais longas, já que o período de incubação pode chegar a 42 dias.
Como está sendo feita a evacuação dos passageiros do cruzeiro?
A evacuação ocorre no porto de Granadilla, em Tenerife, com passageiros divididos por nacionalidade e transportados em botes com escolta sanitária. Todos usam máscaras FFP2, e os equipamentos são desinfetados após cada travessia.
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