O Palácio do Planalto iniciou uma ofensiva para reaproximar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, depois de sofrer duas derrotas consecutivas no Congresso na semana passada. Os primeiros contatos foram feitos pelos ministros José Múcio (Defesa) e José Guimarães (Relações Institucionais), em reuniões separadas com Alcolumbre na residência oficial do Senado nos dias 5 e 6 de maio, segundo apuração da imprensa.
A investida do governo ocorre após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal por 42 votos a 34, em 29 de abril — a primeira vez desde a redemocratização que um nome indicado pelo presidente da República é barrado. No dia seguinte, o Congresso Nacional derrubou o veto de Lula ao projeto de lei que reduz penas de condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Foram 49 votos de senadores e 318 de deputados favoráveis à derrubada, conforme registros oficiais da Câmara.
Recado de Alcolumbre sobre nova indicação ao STF
Nas conversas, Alcolumbre deixou claro que o momento não é propício para uma nova indicação ao STF, mensagem que foi transmitida a Lula. Segundo relatos obtidos pela imprensa, o presidente do Senado afirmou ao ministro José Múcio que “não é o momento de Lula fazer nova indicação” e sugeriu que o nome só deveria ser enviado em 2027, após a próxima eleição presidencial.
Aliados do governo interpretam a fala como uma imposição de Alcolumbre, que articulou com a oposição para derrotar o Planalto. A rejeição de Messias expôs a fragilidade da base governista no Senado, onde parlamentares do União Brasil — partido de Alcolumbre — e de outras siglas do centrão se rebelaram.
Mesmo antes das derrotas, a relação entre Lula e Alcolumbre já vinha desgastada, com acusações de que o governo não honrava acordos políticos. Agora, o Palácio do Planalto avalia ceder a demandas do Senado para destravar a pauta econômica, enquanto interlocutores afirmam que Alcolumbre se dispôs a um encontro com Lula, mas sob suas condições.
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