sábado, 18 de julho de 2026
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Estudo da UFTM revela 214 mil óbitos por doença hepática alcoólica em 22 anos, com ritmo mais acelerado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Mortes por doença hepática alcoólica crescem 4,95% ao ano no Norte do Brasil

Estudo da UFTM revela 214 mil óbitos por doença hepática alcoólica em 22 anos, com ritmo mais acelerado nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Norte registra maior crescimento de mortes por DHA: 4,95% ao ano entre 2000 e 2022.
  • Brasil teve 214.642 mortes e 344.039 internações pela doença no período.
  • Homens são 88% das vítimas fatais; pretos e pardos, 49,8% dos óbitos.
  • Maioria dos casos entre 40 e 59 anos e com baixa escolaridade.
  • Consumo episódico excessivo e lobby da indústria de bebidas dificultam controle.

As mortes por doença hepática alcoólica (DHA) no Brasil cresceram 4,95% ao ano na região Norte entre 2000 e 2022, o maior índice do país, segundo estudo da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM). No mesmo período, o total de óbitos pela doença alcançou 214.642, enquanto as internações somaram 344.039.

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Os dados, publicados na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde do SUS, mostram que o Norte também lidera o crescimento de hospitalizações, com alta anual de 2,57%. Nordeste e Centro-Oeste apresentam tendências semelhantes de aceleração. O Sul, embora com taxas brutas elevadas (5,6 mortes por 100 mil habitantes contra média nacional de 4,9), registra ritmo de aumento mais lento.

Perfil das vítimas e fatores de risco

O levantamento da UFTM traça um perfil claro: homens representam 88% dos mortos e 82% dos internados, com concentração entre 40 e 59 anos (56% dos casos). A baixa escolaridade também pesa — 58,1% dos pacientes tinham até sete anos de estudo. Pretos e pardos são 49,8% dos óbitos, proporção acima da registrada entre internações (35,8%).

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Para hepatologistas ouvidos na investigação, o padrão de consumo episódico excessivo — o chamado ‘binge drinking’ — é subestimado no Brasil e ajuda a explicar o avanço da doença. Dados do Vigitel indicam que 15% a 18,4% da população adulta faz uso abusivo de álcool, com alta de quase 40% entre mulheres na última década.

Especialistas também apontam o lobby da indústria de bebidas como entrave à regulação. A lei 9.294/96 restringe a publicidade apenas de bebidas com teor alcoólico acima de 13 graus, deixando cervejas e outras bebidas de menor graduação livres para anúncios em TV e internet. ‘A falta de controle sobre a propaganda, especialmente a de cerveja, naturaliza o consumo excessivo’, afirma documento da Câmara dos Deputados citado no estudo.

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A coordenadora da pesquisa, Geisa Gomide, alerta que a melhora no diagnóstico e na notificação em regiões antes desassistidas pode inflar parte do crescimento observado. No entanto, ressalta que o agravamento dos indicadores reflete, sobretudo, uma epidemia de consumo nocivo que o sistema de saúde ainda não consegue enfrentar de forma eficaz.


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