domingo, 19 de julho de 2026
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Associação pede nulidade da sessão por suposta violação do sigilo do voto, mas juristas veem chance baixa de sucesso.

Ação no STF tenta anular rejeição de Jorge Messias ao Supremo

Associação pede nulidade da sessão por suposta violação do sigilo do voto, mas juristas veem chance baixa de sucesso.

· 4 min de leitura · Atualizado em 08.05.2026 · NEXUS A.I. do PIRANOT - Editoria de Loterias

Pontos-chave

  • Associação pede anulação de votação que rejeitou Messias ao STF.
  • Alcolumbre antecipou placar: 'Vai perder por oito', antes do resultado.
  • ADPF 1324 foi distribuída ao ministro Luiz Fux no STF.
  • Juristas veem chance baixa de sucesso e risco de desgaste institucional.
  • Placar final foi de 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção.

Uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) protocolada no Supremo Tribunal Federal (STF) tenta reverter a rejeição do nome de Jorge Messias à Corte. A ação, ajuizada pela Associação Civitas para Cidadania e Cultura, pede a anulação da sessão do Senado que barrou o indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 29 de abril de 2026, com 42 votos contrários.

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O principal argumento da entidade é que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), violou o sigilo do voto ao antecipar o resultado. Segundos antes da proclamação oficial, com o microfone aberto, Alcolumbre disse ao líder do governo, Jaques Wagner (PT-BA): ‘Acho que vai perder por oito’, conforme registrado em áudio e reportado pela imprensa.

A petição, distribuída ao ministro Luiz Fux em 5 de maio, sustenta que a conduta de Alcolumbre configurou desvio de finalidade e transformou a votação em um ‘simulacro’. ‘Tal cenário é incompatível com a própria razão de ser da ADPF, concebida precisamente para evitar zonas de não-direito no sistema constitucional brasileiro’, afirma o documento, obtido pela revista eletrônica Consultor Jurídico.

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Argumentos da ADPF 1324

A ADPF 1324 pede liminar para suspender os efeitos da votação e, no mérito, a declaração de nulidade da sessão, com determinação de nova deliberação. A Associação Civitas argumenta que a antecipação do placar comprometeu a lisura do processo legislativo.

Segundo o texto da petição, a fala de Alcolumbre teria influenciado indecisos e violado o sigilo do voto, essencial em sabatinas desse tipo. A entidade sustenta que a conduta do presidente do Senado gerou um ‘simulacro’ de votação.

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O ministro Luiz Fux foi sorteado relator da ADPF 1324, mas a chance de sucesso é considerada baixa por juristas consultados. O STF tradicionalmente não interfere em votações do Legislativo, respeitando a separação de Poderes.

A controvérsia da fala de Alcolumbre

A declaração de Davi Alcolumbre ocorreu quando a votação já estava encerrada, mas o placar ainda não havia sido divulgado. A fala, captada por sistemas de áudio do plenário, gerou imediata reação política.

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Parlamentares da base governista questionaram a imparcialidade do presidente do Senado, sugerindo que a declaração poderia ter influenciado indecisos ou violado o sigilo do voto. O episódio foi o estopim para o ajuizamento da ADPF.

‘Vai perder por oito’, disse Alcolumbre a Jaques Wagner, conforme gravação da sessão. A previsão coincidiu exatamente com a contagem final, o que alimentou suspeitas de que o resultado já estava mapeado antes da votação secreta.

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Chances de sucesso e riscos da ADPF

Juristas avaliam que o argumento central da ação é frágil. A declaração de Alcolumbre pode ser interpretada como mera especulação política, sem comprovação de quebra efetiva de sigilo ou influência no resultado.

O próprio fato de a indicação ter sido rejeitada por 42 votos contrários, um a mais do que o mínimo necessário, enfraquece a tese de que a antecipação teria alterado o desfecho. Além das dificuldades técnicas, há risco de desgaste institucional.

Uma eventual concessão de liminar por Fux poderia ser vista como politização do Judiciário e invasão de competência do Senado. A ação, portanto, testa os limites entre os Poderes, mas tende a ser rejeitada, segundo análise predominante no meio jurídico.

O placar e os bastidores da rejeição

A rejeição de Jorge Messias foi consumada com 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, conforme registro oficial do Senado Federal. O indicado de Lula precisava de ao menos 41 apoios, mas a contagem final expôs uma derrota mais ampla do que a expectativa de um placar apertado.

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Nos bastidores, a derrota foi atribuída a uma combinação de resistência de senadores independentes e de oposição, insatisfação com o perfil técnico de Messias — visto como muito alinhado ao governo — e o desgaste do Planalto após seguidas negociações legislativas.

A contagem final, oito votos abaixo do mínimo necessário, coincidiu exatamente com a previsão de Alcolumbre, o que alimentou suspeitas de que o resultado já estava mapeado antes da votação secreta. A sessão havia sido precedida de aprovação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).


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