O PT deve anunciar na segunda-feira (20) o deputado federal Patrus Ananias como pré-candidato ao governo de Minas Gerais, mas a executiva estadual do partido ainda não confirma o ato, revelando um impasse de última hora na montagem do palanque para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A definição do nome encerra meses de negociações e é estratégica para Lula no segundo maior colégio eleitoral do país, mas a resistência de setores do PT mineiro pode adiar a oficialização, prevista para ocorrer em Belo Horizonte.
A reunião entre Lula e Patrus na quinta-feira (16), no Palácio da Alvorada, foi o sinal mais claro de que o presidente bateu o martelo pelo nome do ex-ministro. No encontro, discutiram projetos de educação e a dívida de Minas com a União, segundo o partido. A executiva estadual convocou as bancadas para um encontro na segunda, movimento interpretado por aliados como o ato de lançamento da pré-candidatura.
A longa negociação por um nome
A escolha de Patrus ocorre após o PT tentar, sem sucesso, atrair o senador Rodrigo Pacheco (PSB) e a prefeita de Contagem, Marília Campos. Em 9 de julho, o PIRANOT mostrou que o ministro Camilo Santana defendia um candidato fora do PT para o estado, evidenciando a dificuldade de consenso. A menos de um mês do prazo final para as convenções partidárias, o partido precisava fechar a questão para não perder o timing eleitoral.
Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16,3 milhões de eleitores, e ter um palanque próprio é considerado essencial para a campanha de Lula. A indefinição local contrastava com o cenário nacional, em que o presidente amplia a vantagem sobre uma direita fragmentada, como reportou o PIRANOT em 5 de julho.
Reação do PT e da oposição
A presidente do PT mineiro, deputada estadual Leninha, afirmou que Lula e Patrus trataram de temas estaduais, mas evitou cravar a candidatura. O site Brasil 247 noticiou que o partido “não confirma” a postulação de Patrus, refletindo a cautela de uma ala que ainda vê riscos na chapa pura. A resistência interna pode estar ligada à necessidade de composição com outras siglas aliadas, que ainda não foi anunciada.
Do lado da oposição, o governador Romeu Zema (Novo) tenta se viabilizar para a reeleição, enquanto o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o deputado Flávio Bolsonaro (PL) articulam candidaturas próprias. A fragmentação da direita em Minas é um dos fatores que animam o PT a lançar nome próprio, mas a indefinição sobre a data do anúncio revela que a unidade partidária ainda não está consolidada.
O que esperar até segunda-feira
A reunião das bancadas na segunda-feira é o próximo passo formal, mas a confirmação da pré-candidatura depende do aval da executiva estadual, que ainda não se pronunciou oficialmente. Se houver adiamento, o PT corre o risco de chegar ao período de convenções sem um nome fechado, o que poderia enfraquecer a campanha de Lula no estado. Até lá, a indefinição permanece como a principal marca do processo.











