Um levantamento da Serasa Experian divulgado nesta sexta-feira (17) revela que 5,5% das micro, pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras e seus sócios estão inadimplentes ao mesmo tempo, acumulando R$ 80,6 bilhões em dívidas.
O dado acende um alerta para o risco de contaminação financeira entre a pessoa física do empreendedor e a pessoa jurídica, um ciclo que pode comprometer tanto a sobrevivência do negócio quanto o patrimônio familiar.
O estudo, que analisou 24,8 milhões de empresas com faturamento anual de até R$ 300 milhões, considerou inadimplentes aquelas com atrasos iguais ou superiores a 30 dias. As modalidades de dívida mais frequentes são cartão de crédito e capital de giro, segundo a Serasa. Esta é a sétima edição do Panorama PME, levantamento trimestral da empresa.
Contaminação entre CPF e CNPJ
Embora o grupo de empresas e sócios simultaneamente inadimplentes represente uma fatia pequena do total, ele concentra os maiores volumes de pendências. A Serasa afirma que a saúde financeira do negócio está diretamente ligada à do empreendedor, e a inadimplência cruzada pode criar um efeito dominó: a restrição de crédito para a empresa dificulta a quitação de dívidas pessoais, e vice-versa.
Em Piracicaba, no interior paulista, o comércio varejista e pequenos prestadores de serviços enfrentam desafios similares de fluxo de caixa, impactando diretamente o orçamento familiar dos proprietários. A cidade, com cerca de 400 mil habitantes, reflete um cenário que se repete em municípios de médio porte, onde a dependência de capital de giro é elevada e a inadimplência pode se alastrar rapidamente.
Juros altos pressionam pequenos negócios
O endividamento de R$ 80,6 bilhões ocorre em um ambiente de taxas de juros elevadas, que encarecem o refinanciamento de dívidas e o acesso a novas linhas de crédito. Em junho, o PIRANOT mostrou que a Atlas suspendeu US$ 1 bilhão em investimentos em energias renováveis no Brasil, citando cortes de geração — um sinal de que o ambiente de negócios segue pressionado.
A inadimplência de micro e pequenas empresas tem sido um gargalo histórico no país, agravada pela Selic em patamar restritivo. O estudo da Serasa não detalha, porém, o impacto regional ou setorial desse endividamento, nem sua relação com o índice de falências no estado de São Paulo — lacunas que permanecem em aberto para análises futuras.
A Serasa não divulgou projeções sobre a evolução da inadimplência conjunta, mas o cenário de juros altos deve manter a pressão sobre as PMEs nos próximos meses. O impacto desse endividamento no índice de falências, especialmente no estado de São Paulo, ainda não foi mensurado.











