quarta-feira, 15 de julho de 2026
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Economia

Camil lucra R$ 28 mi no 1º tri fiscal, queda de 57,6% com custos pressionando margens

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O volume total de vendas cresceu 17,9% no trimestre, superando 593 mil toneladas.
  • O Ebitda recuou 9,9%, para R$ 210 milhões, com margem de 7,9%.
  • A alavancagem financeira subiu de 0,6 para 1,5 vez a relação dívida líquida/Ebitda.
  • A receita do segmento Brasil avançou 4,8%, enquanto a internacional caiu 14,9%.
  • A empresa reverteu prejuízo de R$ 40,3 milhões do trimestre anterior.

A Camil Alimentos registrou lucro líquido de R$ 28 milhões no primeiro trimestre fiscal de 2026, encerrado em maio, informou a companhia nesta terça-feira (14). O resultado representa uma queda de 57,6% em relação aos R$ 66 milhões obtidos no mesmo período do ano anterior, mesmo com a receita líquida praticamente estável, em R$ 2,668 bilhões.

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A forte retração do lucro, apesar da estabilidade da receita, acendeu o alerta para a pressão de custos operacionais e o aumento da alavancagem financeira da dona de marcas como Camil, Namorado e Coqueiro. O balanço mostra que a empresa conseguiu reverter o prejuízo de R$ 40,3 milhões do trimestre imediatamente anterior, mas ainda opera bem abaixo do patamar de rentabilidade de um ano atrás.

O volume total de vendas cresceu 17,9% no período, superando 593 mil toneladas, impulsionado pelo segmento Brasil. A receita líquida no mercado interno avançou 4,8%, para R$ 2,025 bilhões, enquanto a operação internacional encolheu 14,9%, para R$ 642,1 milhões, refletindo o impacto do câmbio e da menor demanda em alguns mercados.

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Desempenho por segmento e margens

A divisão Brasil, que responde por mais de três quartos da receita, foi o destaque positivo, com crescimento de 4,8% na receita líquida, de R$ 1,932 bilhão para R$ 2,025 bilhões. Já o segmento internacional viu a receita cair de R$ 754,7 milhões para R$ 642,1 milhões, uma retração de 14,9% que a empresa atribui a efeitos cambiais e à base de comparação elevada no ano anterior.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 210 milhões, recuo de 9,9% na comparação anual. A margem Ebitda caiu 0,8 ponto percentual, para 7,9%, evidenciando a dificuldade de repassar custos aos preços. O resultado operacional foi pressionado pelo aumento das despesas com vendas e logística, além do custo das matérias-primas, que permaneceu elevado.

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Pressão de custos e alavancagem

O balanço revela que a alavancagem financeira da companhia piorou significativamente. A relação dívida líquida/Ebitda passou de 0,6 vez no primeiro trimestre fiscal de 2025 para 1,5 vez no período atual, segundo o release de resultados. O indicador ainda está em patamar administrável, mas o salto acendeu o sinal de atenção entre analistas.

O Citi manteve recomendação de compra para as ações da Camil (CAML3), apesar de classificar o resultado como “fraco”. Em relatório divulgado nesta quarta-feira (15), o banco afirmou que a empresa deve se beneficiar da recuperação gradual do consumo no Brasil e da normalização dos custos de grãos ao longo do ano, mas informou que a disciplina de despesas será crucial para a retomada da margem.

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Reação do mercado e próximos passos

As ações da Camil fecharam o pregão de terça-feira (14) cotadas a R$ 7,75, antes da divulgação do balanço. A reação do mercado ao resultado só será conhecida na abertura desta quarta-feira (15), mas a expectativa de analistas é de volatilidade, dado o tom cauteloso do comunicado e a piora da alavancagem.

O resultado se soma a um cenário de grandes números no setor de alimentos e varejo. Em julho, o PIRANOT mostrou que o Carrefour faturou R$ 123,6 bilhões em 2025, ampliando a liderança no atacarejo. A Camil, por sua vez, não detalhou projeções para os próximos trimestres, mas indicou que seguirá focada em eficiência operacional e redução do endividamento.

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A empresa não divulgou medidas específicas de controle de despesas, mas o mercado aguarda a teleconferência com investidores para obter mais detalhes sobre a estratégia de recuperação de margens e a gestão do capital de giro em um ambiente de juros ainda elevados.


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