quarta-feira, 15 de julho de 2026
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Economia

Operação Distrato apura fraude de R$ 3,8 bi em créditos falsos de ICMS em SP e PR

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Intermediários cobravam até 70% do valor dos créditos fraudulentos como honorários.
  • Documentos fiscais frios simulavam operações interestaduais para gerar créditos inexistentes de ICMS.
  • Ao menos 752 empresas utilizaram o esquema para reduzir artificialmente o imposto devido.
  • O advogado Nelson Wilians é apontado como líder do núcleo operacional, com buscas em sua casa e escritório.
  • A mansão em Campinas que concentrou buscas tinha estátuas de leões e obras de arte no interior.

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP) deflagrou nesta quarta-feira (15) a Operação Distrato, com 38 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Paraná, para desarticular um esquema de créditos falsos de ICMS que causou prejuízo estimado em R$ 3,8 bilhões.

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De acordo com o CIRA-SP, escritórios de advocacia e consultorias ofereciam a empresas um mecanismo para reduzir o pagamento do imposto por meio de créditos tributários inexistentes. Os intermediários cobravam até 70% do valor do crédito fraudulento como honorários.

As investigações apontam que 752 empresas utilizaram o esquema. Os mandados foram cumpridos em cidades como Campinas, Jundiaí e Ribeirão Preto, além de municípios do Paraná. O principal alvo é o advogado Nelson Wilians, apontado como líder do núcleo operacional, e os grupos Alpha e DMC. Não houve mandados de prisão.

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Em Campinas, uma mansão em condomínio de luxo concentrou a maior parte das buscas. Imagens obtidas pela imprensa mostram policiais do Batalhão de Ações Especiais (Baep) no imóvel, que tinha estátuas de leões na fachada e obras de arte no interior.

Mecanismo da fraude

O esquema funcionava com a geração de créditos de ICMS baseados em documentos fiscais frios, simulando operações interestaduais que nunca ocorreram. As empresas compravam esses créditos para abater do imposto devido ao estado de São Paulo, reduzindo artificialmente sua carga tributária.

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Os escritórios de advocacia e consultorias atuavam como intermediários, captando clientes e formalizando contratos. O CIRA-SP identificou as irregularidades ao cruzar dados fiscais e notou a recorrência de créditos incompatíveis com a atividade econômica das empresas.

Impacto bilionário

O rombo de R$ 3,8 bilhões equivale a cerca de 2,5 milhões de salários mínimos (considerando o piso de R$ 1.518 em 2026). O valor sonegado deixa de financiar serviços públicos essenciais como saúde, educação e segurança no estado.

A operação se insere em um contexto de intensificação do combate a fraudes financeiras. Em junho, a Polícia Federal deflagrou uma operação contra acionistas e executivos de bancos, conforme noticiou o PIRANOT.

Próximos passos

O material apreendido será analisado pelo CIRA-SP, que poderá indiciar os envolvidos por sonegação fiscal, falsidade ideológica e organização criminosa. Até o momento, não há mandados de prisão expedidos.

A defesa de Nelson Wilians não se manifestou até a publicação desta reportagem. O governo de São Paulo não divulgou a lista completa das 752 empresas investigadas, sob justificativa de preservar o sigilo das apurações.


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