quarta-feira, 15 de julho de 2026
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Agronegócio

Inadimplência no campo sobe a 8,8% e aperta crédito para a próxima safra

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O índice considera dívidas de pessoas físicas rurais vencidas há mais de 180 dias com empresas do agronegócio
  • Em 2025, o setor agropecuário registrou recorde de 1.990 pedidos de recuperação judicial
  • A piora do crédito acende alerta para a oferta de financiamento e investimento na safra 2026/2027
  • PIRANOT já havia mostrado que a crise de crédito atingiu até grandes empresas, como a Zilor

A inadimplência entre produtores rurais pessoas físicas chegou a 8,8% no primeiro trimestre de 2026, o maior nível da série histórica da Serasa Experian. A taxa subiu 1,2 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025, quando estava em 7,6%, e avançou 0,6 ponto sobre o quarto trimestre do ano passado, quando marcava 8,2%.

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O indicador considera produtores com dívidas vencidas há mais de 180 dias com empresas ligadas ao agronegócio. A piora mostra um setor que entra em 2026 ainda pressionado por custos elevados, juros altos e crédito mais seletivo — uma combinação que reduz margem de manobra no caixa e encarece a preparação para a safra 2026/2027.

O dado se soma a outro sinal de estresse financeiro no campo: em 2025, o agro registrou 1.990 pedidos de recuperação judicial, também em nível recorde. Embora os dois indicadores tenham metodologias diferentes, ambos apontam para o mesmo problema de fundo: parte dos produtores e empresas rurais chega ao novo ciclo com menor capacidade de rolar dívidas, tomar financiamento e investir em tecnologia, insumos e custeio.

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Norte lidera a inadimplência; Sul tem menor taxa

A pressão não aparece de forma igual no país. A região Norte registrou a maior taxa de produtores inadimplentes, com 13,2%. No outro extremo, o Sul teve o menor índice, de 6,2%. A diferença regional é relevante porque o acesso ao crédito rural depende não apenas da capacidade individual de pagamento, mas também da percepção de risco sobre cadeias produtivas, clima, logística e histórico de recuperação de garantias.

Com inadimplência mais alta, bancos, cooperativas e fornecedores tendem a exigir mais garantias, reduzir limites ou cobrar prêmios maiores de risco. Na prática, isso pode deixar o financiamento mais caro justamente no momento em que o produtor precisa comprar insumos, renegociar passivos e planejar a próxima safra.

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Risco maior reduz fôlego financeiro

Outro termômetro da Serasa Experian reforça a deterioração. O Agro Score, indicador usado para medir a saúde financeira do setor, caiu de 606 pontos no primeiro trimestre de 2025 para 591 pontos no mesmo período de 2026. Quanto menor a pontuação, maior a percepção de risco de crédito.

A combinação de inadimplência recorde, aumento dos pedidos de recuperação judicial e piora no score financeiro amplia a pressão sobre a formulação do Plano Safra 2026/2027. O ponto central agora é saber se as condições de financiamento conseguirão acomodar produtores mais endividados sem provocar uma retração adicional do crédito rural.


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