O BNDES aprova nesta quinta-feira (9) um financiamento de R$ 72,5 milhões para a Master Agroindustrial implantar uma granja de genética suína em Santa Catarina. O projeto tem investimento total estimado em R$ 91,2 milhões e mira uma etapa estratégica da cadeia de proteína animal: a produção de animais com padrão genético, sanitário e produtivo para abastecer a suinocultura.
A unidade foi desenhada para abrigar 5.000 matrizes e produzir 150 mil suínos por ano. O crédito do banco de fomento cobre a maior parte do aporte previsto, o equivalente a cerca de 79,5% do investimento total. A diferença deverá ser bancada com recursos complementares da empresa.
A Master Agroindustrial é dona da marca Sulita e atua no setor de proteína animal. Com o novo projeto, a companhia reforça a base de reprodução, área que antecede a engorda e o abate e influencia diretamente produtividade, controle sanitário e regularidade de fornecimento para frigoríficos e integrados.
Genética vira aposta para elevar produtividade
O foco em genética suína dá ao investimento um peso maior do que o de uma granja convencional. Matrizes de melhor desempenho ajudam a padronizar lotes, reduzir perdas e aumentar a eficiência na conversão de ração em carne. Em uma cadeia pressionada por custo de milho, farelo, energia e sanidade, esse tipo de estrutura funciona como ponto de partida para ganhos de escala.
Santa Catarina é um dos principais polos brasileiros de suinocultura e concentra uma indústria exportadora que depende de rastreabilidade e alto controle sanitário. O estado também tem posição reconhecida em defesa agropecuária, fator relevante para granjas de genética, nas quais biossegurança, isolamento e manejo são parte central do negócio.
O município escolhido para receber a granja não foi informado. Esse dado será decisivo para dimensionar os efeitos locais do empreendimento, como demanda por obras de acesso, serviços, fornecedores, mão de obra e estrutura de apoio no entorno da unidade.
Crédito reforça presença do banco no agro
A operação se soma a uma sequência recente de financiamentos públicos voltados à expansão produtiva e à inovação no campo. Em junho, o BNDES aprovou R$ 500 milhões para uma usina de etanol de milho da FS em Mato Grosso. No mesmo período, a Finep liberou R$ 115 milhões para o desenvolvimento de máquinas agrícolas adaptadas ao Brasil pela Horsch.
No caso catarinense, o dinheiro não vai para processamento industrial nem para máquinas, mas para a base biológica da produção. A consequência prática é ampliar a capacidade de fornecimento de animais com genética controlada em um dos estados mais importantes para a carne suína brasileira.
Com a aprovação do crédito, o próximo passo é a contratação e a execução do projeto pela empresa. Até agora, os números definidos são o financiamento de R$ 72,5 milhões, o investimento total de R$ 91,2 milhões, a estrutura com 5.000 matrizes e a capacidade projetada de 150 mil suínos por ano.











