quarta-feira, 15 de julho de 2026
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Economia

Fed vê inflação a 2% só em 2028 e mantém juros entre 3,50% e 3,75%

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Presidente do Fed de Nova York afirma que política monetária atual é suficiente para conter a inflação, afastando novas altas
  • Ata do Fomc de maio revelou que maioria dos dirigentes apoiaria aumento dos juros se inflação persistisse acima de 2%
  • Projeções do Fed indicam que choques de energia e demanda por infraestrutura de IA adiam convergência da inflação para 2028
  • Kevin Warsh, novo chair do Fed, abandonou viés de queda de juros e passou a citar riscos inflacionários

O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, afirmou nesta quarta-feira (15) que a política monetária dos Estados Unidos está “bem posicionada” para levar a inflação à meta de 2% apenas em 2028, com a taxa de juros mantida no intervalo de 3,50% a 3,75%.

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“A política monetária está em um nível bem posicionado para atingir as metas de inflação e máximo emprego”, afirmou John Williams, presidente do Fed de Nova York, em evento nesta quarta-feira (15). A declaração afasta, ao menos por ora, a possibilidade de novas altas de juros, apesar de a inflação seguir acima do objetivo de 2%.

A fala reforça a postura cautelosa do banco central americano. A ata da reunião de maio do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) mostrou que a maioria dos dirigentes apoiaria novas altas de juros caso a inflação persistisse acima de 2%. Agora, Williams sinaliza que o atual patamar é suficiente para conter os preços, mas a convergência para a meta levará mais tempo do que o inicialmente previsto.

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Meta adiada para 2028

Projeções da equipe técnica do Fed, divulgadas na ata de junho, já indicavam que a inflação só retornaria a 2% em 2028, pressionada por choques nos preços de energia e pela alta demanda por infraestrutura de inteligência artificial. O presidente do Fed, Kevin Warsh, que assumiu o comando em 2026, abandonou o viés de queda de juros e passou a citar esses fatores como riscos inflacionários.

Desde 2022, o Fed elevou os juros de zero para o patamar atual, o mais alto em décadas, para combater a inflação que chegou a superar 9% ao ano. Apesar da desaceleração, o índice de preços ao consumidor (CPI) segue acima da meta de 2%, mantendo a autoridade monetária em alerta.

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Efeito no Brasil

A manutenção de juros elevados nos Estados Unidos reduz a atratividade de ativos de países emergentes, como o Brasil, e pressiona o câmbio. Com o dólar mais caro, a inflação de produtos importados sobe, limitando o espaço para o Banco Central brasileiro cortar a taxa Selic.

Em junho, o BC elevou sua projeção de inflação para 5,2% em 2026, conforme mostrou o PIRANOT, o que travou novos cortes na Selic. A pesquisa Focus mais recente aponta dólar a R$ 5,20 no fim do ano, mas estimativas de curto prazo já chegam a R$ 5,40, segundo o PIRANOT.

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O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, que atrai capital estrangeiro, tende a permanecer estreito, mantendo a pressão sobre o real e dificultando cortes mais agressivos na Selic. O Banco Central brasileiro, sob o comando de Gabriel Galípolo, já sinalizou que o ciclo de cortes está interrompido enquanto a inflação projetada permanecer acima da meta de 3%.

O que esperar

A próxima reunião do FOMC está marcada para setembro, quando o Fed atualizará suas projeções econômicas. Até lá, os dirigentes devem monitorar os dados de inflação e emprego. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne em agosto e terá de calibrar a Selic diante de um cenário externo que não deve aliviar tão cedo.

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A fala de Williams reforça que, mesmo sem novas altas, os juros americanos permanecerão em patamar restritivo por um período prolongado, o que mantém o câmbio e a inflação brasileira sob vigilância.


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