O Brasil exportou US$ 11,4 bilhões em minerais críticos em 2025 e teve a União Europeia como principal destino dessa pauta. O bloco comprou US$ 4,3 bilhões, o equivalente a 37,6% do total vendido pelo país nos nove minerais mapeados pela ApexBrasil.
O avanço coloca o Brasil no centro de uma disputa econômica e geopolítica: cobre, nióbio, silício, níquel, lítio, grafite, elementos de terras raras, fosfato e potássio são insumos de baterias, equipamentos de energia limpa, eletrônicos e fertilizantes. Para a Europa, ampliar fornecedores fora da órbita chinesa virou uma questão de segurança industrial. Para o Brasil, a oportunidade é transformar abundância mineral em política de desenvolvimento.
É justamente nesse ponto que a notícia ganha tensão. Enquanto as exportações avançam, o Senado adiou a votação da política nacional para minerais críticos e estratégicos. A proposta busca organizar incentivos e dar previsibilidade ao setor, mas ainda não há nova data anunciada para a análise do texto.
Brasil vende minério, mas disputa valor agregado
A diferença entre exportar minério e liderar uma cadeia industrial está no processamento. O país já aparece como fornecedor relevante de insumos cobiçados, mas a maior fatia de valor costuma ficar nas etapas de refino, transformação e fabricação de componentes — exatamente as fases que a política nacional tenta estimular.
A lista de minerais ajuda a dimensionar o alcance da agenda. O lítio e o grafite entram na cadeia de baterias; o cobre e o níquel são usados em infraestrutura elétrica e tecnologias de baixo carbono; o nióbio tem aplicação em ligas metálicas; terras raras são essenciais para ímãs e equipamentos de alta tecnologia; fosfato e potássio sustentam a produção de fertilizantes.
Demanda global pressiona o setor mineral
O movimento dos minerais críticos ocorre em um ciclo mais amplo de força da mineração brasileira. O Ibram informou que as exportações minerais do país somaram US$ 11,4 bilhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 21,5% sobre igual período de 2025. Esse dado inclui a pauta mineral como um todo, não apenas os minerais críticos, mas mostra o ritmo da demanda externa.
A combinação de vendas externas fortes e indefinição regulatória expõe o dilema brasileiro. Sem um marco capaz de orientar investimentos e reduzir incertezas, o país corre o risco de reforçar o papel de fornecedor de matéria-prima no momento em que seus compradores buscam cadeias mais seguras, limpas e próximas.
O próximo passo está no Senado. A votação da política nacional definirá se o Brasil pretende apenas ampliar embarques ou disputar as etapas mais valiosas da cadeia de minerais críticos, justamente quando a União Europeia aumenta a procura por fornecedores estratégicos.











