O atacante Folarin Balogun afirmou nesta terça-feira (14) que a intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reverter sua suspensão automática na Copa do Mundo de 2026 afetou o ambiente da seleção americana antes da eliminação para a Bélgica.
Em entrevista ao programa CBS Mornings, o jogador reconheceu que a polêmica foi “difícil de ignorar” e abalou a concentração do elenco para as oitavas de final, disputada em 29 de junho. “Foi difícil”, resumiu.
Balogun havia sido expulso na vitória sobre a Bósnia e Herzegovina, em 28 de junho, e cumpriria suspensão automática. Menos de 24 horas antes da partida contra a Bélgica, porém, a Fifa anulou a punição após um telefonema de Trump ao presidente da entidade, Gianni Infantino. A decisão, revelada pelo PIRANOT em 6 de julho, gerou protestos imediatos da federação belga.
Pressão política e reação internacional
A interferência direta de um chefe de Estado em decisões disciplinares da Fifa é um caso raro. Historicamente, a entidade pune federações nacionais que sofrem ingerência governamental, mas, desta vez, acatou o pedido. A Bélgica, adversária dos EUA nas oitavas, chegou a exigir explicações formais da Fifa, sem obter resposta detalhada.
Infantino confirmou a conversa com Trump e defendeu a autonomia disciplinar da entidade, mas não detalhou os critérios para a revisão da punição. O episódio ganhou contornos insólitos quando a imprensa americana revelou que Trump desconhecia o significado de um cartão vermelho, segundo o Yahoo Sports.
Eliminação e questionamentos internos
Em campo, os EUA foram goleados por 4 a 1 pela Bélgica. Balogun atuou os 90 minutos, mas não conseguiu evitar a eliminação. O atacante evitou atribuir a derrota exclusivamente ao episódio extra-campo, mas admitiu que o ambiente foi afetado.
A declaração reacende o debate sobre a politização do esporte. A comissão técnica americana, chefiada por Mauricio Pochettino, não se manifestou publicamente sobre se tentou impedir ou apoiar a interferência de Trump. O silêncio mantém em aberto a dúvida sobre como o elenco reagiu internamente no hotel de concentração após a notícia da liberação.
A eliminação dos EUA encerrou a participação da seleção anfitriã na Copa, mas o episódio deve alimentar discussões sobre os limites da influência política no futebol. A Fifa não divulgou os fundamentos da decisão que beneficiou Balogun.











