domingo, 12 de julho de 2026
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Júnior Cardoso
Economia

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog...

Grupo Globo vende sede de São Paulo por R$ 522 milhões para seu próprio fundo imobiliário e ampliou investimentos; torres de TV e rádios também são vendidas

· 5 min de leitura

Entre 2021 e 2026, a Globo vendeu sua sede de São Paulo por R$ 522 milhões, transferiu 17 torres de transmissão e 16 imóveis para uma multinacional de infraestrutura, tornou-se cotista do fundo que passou a receber seu aluguel e criou uma empresa para administrar ativos financeiros e fundos no exterior. A sequência mostra uma transformação patrimonial que vai muito além das empresas de comunicação conhecidas pelo público.

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O desenho atual separa três frentes: a operação de mídia, os 35 investimentos empresariais da Globo Ventures e a Borealis, criada para selecionar e gerir fundos e ativos financeiros internacionais. Participações acionárias mudam com facilidade; por isso, cada informação desta reportagem está vinculada à data em que foi divulgada.

Em resumo:

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  • Globo vendeu 17 torres e 16 imóveis à IHS Towers ao longo de 2021.
  • Sede de São Paulo foi vendida ao VINO11 por R$ 522 milhões em dezembro de 2021.
  • Globo continuou no prédio e tornou-se cotista relevante do fundo comprador.
  • Nova holding entrou em operação em janeiro de 2026 com 35 investimentos na Globo Ventures.
  • Borealis passou a cuidar de ativos financeiros e fundos no exterior.

2021: Globo vende 17 torres e 16 imóveis à IHS

Ao longo de 2021, a Globo transferiu 17 torres de transmissão e 16 imóveis usados por parte das antenas para a IHS Towers, empresa internacional de infraestrutura de telecomunicações. A emissora preservou o uso operacional das estruturas, mas deixou de manter os ativos como proprietária.

A operação não envolveu a venda das concessões de televisão nem a entrega do controle editorial ou da programação. Foi uma mudança na forma de financiar a infraestrutura: em vez de imobilizar capital em terrenos e torres, a Globo passou a utilizar estruturas pertencentes a uma empresa especializada.

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17 de dezembro de 2021: sede é vendida por R$ 522 milhões

Em 17 de dezembro de 2021, o fundo imobiliário Vinci Offices, negociado na Bolsa pelo código VINO11, adquiriu 100% do complexo da Globo em São Paulo. O imóvel possui cerca de 39 mil metros quadrados de área locável e reúne o Edifício Jornalista Roberto Marinho, módulos de produção e estruturas de apoio.

A venda foi fechada por R$ 522 milhões. A Globo não deixou o endereço: assinou um contrato atípico de locação por 15 anos e permaneceu como ocupante do complexo. Em maio de 2026, o relatório do VINO11 ainda apresentava o imóvel com ocupação de 100%, a Globo como principal locatária e o fundo como proprietário integral.

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25 de janeiro de 2022: vendedora vira cotista do comprador

Pouco mais de um mês depois da aquisição, em 25 de janeiro de 2022, a Vinci anunciou uma captação de R$ 215 milhões relacionada à operação e informou que a Globo se tornou cotista relevante do VINO11. Parte do negócio foi estruturada com entrega de cotas do fundo.

É daí que nasce a expressão de que a Globo teria “vendido a sede para si mesma”. A frase não é literal: o VINO11 é um fundo independente, listado em Bolsa e dividido entre milhares de investidores. Economicamente, porém, houve uma relação circular. A Globo vendeu o prédio, recebeu recursos e cotas, continuou como inquilina e passou a participar dos resultados do fundo que recebe seu aluguel.

De media for equity a 35 investimentos empresariais

A mesma lógica de transformar ativos e alcance de mídia em participação aparece na Globo Ventures. No modelo conhecido como media for equity, empresas recebem espaço publicitário e a Globo obtém participação acionária. Reportagens publicadas em junho de 2024 apontaram que esse mecanismo foi usado na relação com o Nubank, patrocinador do Jornal Nacional desde 1º de junho de 2023.

A Globo confirmou a existência de contratos, mas não divulgou valores, quantidade de ações ou a posição acionária atual. Esse cuidado é indispensável: ações podem ser vendidas, diluídas ou transferidas, e uma participação noticiada em 2024 não deve ser apresentada automaticamente como posição imutável em 2026.

Em julho de 2026, o Grupo Globo informava que a Globo Ventures administrava 35 investimentos. O site público identificava 31 empresas, distribuídas por finanças, crédito, saúde, imóveis, mobilidade, comércio eletrônico, inteligência artificial, segurança e entretenimento. A diferença indica que parte da carteira não é detalhada ao público.

Janeiro de 2026: Borealis amplia investimentos para o exterior

A nova holding do Grupo Globo entrou em operação em janeiro de 2026 e foi detalhada publicamente em 25 de junho. Roberto Marinho Neto assumiu a vice-presidência de Negócios e Investimentos, responsável pela Globo Ventures e pela Borealis.

A Borealis foi apresentada como a empresa encarregada da seleção e gestão de ativos financeiros e fundos no exterior, sob condução de Luís Lora. O grupo não revelou quais fundos, gestores, países, moedas, classes de ativos ou valores compõem a carteira internacional.

O PIRANOT mostrou em junho que a holding possui 20 integrantes e separa o comando das empresas de mídia da área de negócios e investimentos. A divisão formaliza uma estrutura em que televisão, jornais e plataformas digitais continuam sendo a face pública, enquanto participações, fundos e ativos internacionais ganham comando próprio.

O patrimônio da Globo não cabe em uma lista de marcas

Somar apenas TV Globo, Globoplay, g1, jornais, revistas e rádios produz um retrato incompleto. Também é insuficiente listar somente as startups da Globo Ventures. O patrimônio coordenado pelos acionistas inclui participações empresariais, cotas de fundo imobiliário, ativos financeiros internacionais e contratos de longo prazo derivados da venda de infraestrutura.

Isso não significa que toda empresa investida seja controlada pela Globo, nem que os fundos administrados pela Borealis pertençam integralmente ao grupo. Significa que a organização passou a separar com clareza a produção de mídia, a administração de participações e a gestão financeira do patrimônio dos acionistas.

Esta análise de Júnior Cardoso utiliza informações divulgadas pelo Grupo Globo, Globo Ventures, Vinci Offices e reportagens de mercado. Posições acionárias mencionadas correspondem às datas de divulgação e podem ter mudado posteriormente.

Júnior Cardoso
Sobre o colunista

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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