domingo, 12 de julho de 2026
MERCADO
IBOVESPA 177.866 pts▲ 4,23%DOW JONES 52.637 pts▲ 0,55%NASDAQ 26.282 pts▲ 1,59%S&P 500 7.575 pts▲ 1,24%DÓLAR R$ 5,12▼ 0,54%EURO R$ 5,86▼ 0,35%BITCOIN R$ 328.635▼ 0,07%ETHEREUM R$ 9.336▲ 0,21%SELIC 14,25%CDI 14,15%IPCA 12M 4,64%
Publicidade
Economia

Presos de escândalos nacionais têm direito a curso financeiro em batalhão da PM

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O 19º Batalhão da PMDF, conhecido como Papudinha, concentra detentos de escândalos como a tentativa de golpe e fraudes no INSS
  • Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa estão isolados por barreiras metálicas, por ordem do ministro André Mendonça
  • A unidade já abrigou Jair Bolsonaro e Anderson Torres, consolidando o apelido de Tremembé de Brasília
  • Vorcaro ocupa a mesma cela de 60 m² que Bolsonaro usou, mas sem acesso a TV, academia ou comida externa

Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), têm direito a um curso de orientação financeira para a vida pós-prisão na Papudinha, o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal.

Publicidade

A informação foi confirmada pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) neste domingo (12). O curso integra um programa de reinserção social oferecido aos detentos da unidade, que historicamente abriga presos de alta repercussão política e econômica.

Os dois investigados estão incomunicáveis entre si e com os demais presos por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A medida, adotada em 1º de julho, levou a PMDF a instalar barreiras metálicas para garantir o isolamento absoluto, conforme decisão judicial no âmbito da Operação Compliance Zero.

Publicidade

Como a Papudinha se tornou centro de detenção de escândalos

O 19º Batalhão da PMDF ganhou o apelido de “Tremembé de Brasília” por concentrar réus de alguns dos maiores escândalos recentes do país. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cumpriu parte da pena no local após a condenação pela tentativa de golpe. O ex-ministro Anderson Torres também passou pela unidade.

Com a chegada de Vorcaro, em 25 de junho, a Papudinha passou a abrigar simultaneamente investigados da tentativa de golpe, de fraudes no INSS e do esquema financeiro que envolve o Banco Master e o BRB. Vorcaro ocupa a mesma cela de cerca de 60 m² que já abrigou Bolsonaro, equipada com cama de casal, banheiro e área externa. Ele completou 15 dias preso na última sexta-feira (10) sem acesso a televisão ou academia, de acordo com relatos da imprensa.

Publicidade

A concentração de presos de alta visibilidade levanta questões sobre os critérios de alocação. A PMDF não detalhou as regras que definem a permanência no batalhão, mas a unidade é originalmente destinada ao patrulhamento de presídios e, por sua estrutura, permite o isolamento de detentos que demandam segurança reforçada.

As fraudes da Compliance Zero e a incomunicabilidade

A Operação Compliance Zero apura desvios de R$ 550 milhões no Banco Master e de R$ 1,1 milhão no BRB, segundo a Polícia Federal. Vorcaro foi preso após a PF levar ao Supremo indícios de ligações entre seu pai e um bicheiro, como revelou o PIRANOT em junho. A décima fase da operação, deflagrada em 9 de julho, mirou um publicitário ligado a Vorcaro.

Publicidade

A incomunicabilidade entre Vorcaro e Costa foi imposta pelo STF para evitar a combinação de versões. A defesa dos investigados nega irregularidades e afirma que as prisões são desproporcionais. Ambos são considerados inocentes até decisão definitiva, e o processo ainda está em fase de instrução.

O curso de orientação financeira oferecido aos dois contrasta com a complexidade das operações que eles gerenciavam. Vorcaro comandava um banco com ativos bilionários, enquanto Costa presidia uma instituição financeira pública. O conteúdo programático do curso não foi divulgado, mas a iniciativa faz parte da assistência de reinserção prevista na Lei de Execução Penal.

Publicidade

Adesão ao curso e próximas etapas da apuração

Até o momento, nem a PMDF nem as defesas informaram se Vorcaro e Costa aceitaram participar do curso. A aceitação é voluntária, e a recusa não gera sanções disciplinares. A lacuna sobre a adesão mantém em aberto a ironia apontada por fontes próximas à investigação: dois especialistas em finanças recebendo orientação básica sobre o tema.

A investigação da Compliance Zero segue em andamento, com novas fases previstas. A Polícia Federal analisa documentos apreendidos e pode ouvir novos depoimentos nas próximas semanas. A defesa de Vorcaro tenta reverter a prisão preventiva, enquanto o STF avalia a possibilidade de delação premiada — hipótese que, segundo a Procuradoria-Geral da República, não está descartada. A expectativa é que o tribunal decida sobre a manutenção da prisão nas próximas semanas.


Publicidade