sábado, 11 de julho de 2026
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Agronegócio

Etanol fica mais barato em São Paulo, mas safra menor ameaça alívio

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • O etanol anidro spot recuou 12,4% no trimestre, para R$ 2,68 por litro em São Paulo.
  • A produção de etanol no centro-sul saltou 31% no início da safra, impulsionada pelo avanço da colheita.
  • A área de cana colhida na região cresceu 3% na safra 2026/27, ampliando a oferta de curto prazo.
  • Apesar da queda nos preços, a base agrícola encolhe, o que pode reverter a folga ao consumidor.

O etanol chegou mais barato ao início da safra 2026/27 em São Paulo, mas a queda dos preços convive com um alerta para os próximos meses: a cana-de-açúcar, base da maior parte da produção nacional do biocombustível, caminha para o segundo ciclo seguido de retração.

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O etanol hidratado recuou 13,1% no primeiro trimestre da safra, para média de R$ 2,35 por litro no mercado paulista, de acordo com o Cepea. O anidro, misturado à gasolina, caiu 12,4% no mesmo intervalo, a R$ 2,68 por litro. A baixa reflete a entrada mais forte de produto no mercado com o avanço da moagem no Centro-Sul e com o crescimento da oferta de etanol de cana e de milho.

A folga, porém, não vem de uma expansão estrutural da matéria-prima. A safra 2024/25 terminou com 676,96 milhões de toneladas de cana moídas, queda de 5,1% sobre o ciclo anterior, segundo a Conab. Para 2025/26, a companhia estima 663,44 milhões de toneladas, novo recuo, de 2%. Se a projeção se confirmar, o setor terá duas safras consecutivas menores, mesmo com mais área disponível para colheita no principal polo produtor do país.

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Mais área segura a oferta agora, mas não resolve a produtividade

No Centro-Sul, a área destinada à colheita de cana na safra 2026/27 cresceu 3%. Esse avanço ajuda a explicar por que os preços cederam na largada do ciclo: com mais cana entrando nas usinas, a moagem inicial ganhou tração e ampliou a disponibilidade de etanol. A produção regional do biocombustível aparece 31% acima do mesmo período do ano passado.

O problema está no rendimento dos canaviais. A expansão de área pode compensar parte da perda, mas não elimina os efeitos de clima adverso e de pragas como a cigarrinha-das-raízes, que pressionam a produtividade em regiões produtoras. Na prática, o setor consegue entregar mais etanol no curto prazo, enquanto a base agrícola mostra sinais de desgaste.

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Esse descompasso explica a tensão da safra: o consumidor vê preços menores agora, mas o mercado ainda não tem garantia de que a oferta continuará confortável se a produtividade cair ou se a demanda por combustíveis reagir com mais força. O etanol tende a permanecer competitivo onde a logística favorece o produto, sobretudo em São Paulo e no Centro-Sul, mas o espaço para novas quedas fica limitado por uma safra de cana menor.

Preço baixo depende do ritmo das usinas

Para a bomba, o efeito imediato é positivo: o hidratado mais barato no atacado aumenta a chance de preços competitivos frente à gasolina, especialmente nos mercados próximos às usinas. A transmissão ao consumidor, porém, depende de margens de distribuição, impostos e concorrência local entre postos.

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O próximo ponto de atenção é a atualização das estimativas da Conab, prevista para agosto. Se os números confirmarem nova perda de moagem, o alívio atual tende a depender cada vez mais do ritmo das usinas e da produção de etanol de milho para evitar uma recomposição de preços ao longo da safra.


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