O mercado físico do boi gordo opera em queda de braço nesta quinta-feira (9). De um lado, frigoríficos reduzem o ritmo de compras, encurtam escalas e tentam impor preços menores. Do outro, pecuaristas resistem a entregar animais no patamar atual. O resultado é um mercado travado, com a arroba negociada principalmente entre R$ 315 e R$ 320.
A pressão vem da indústria. Com margens apertadas e maior dificuldade para repassar preços no atacado, frigoríficos passaram a alongar negociações, suspender abates aos sábados em algumas unidades e ajustar a produção para evitar acúmulo de carne. As escalas de abate giram entre 6 e 10 dias, prazo considerado curto, mas suficiente para reduzir a urgência das compras.
O movimento já aparece no atacado paulista. A carcaça casada bovina recuou para R$ 23,77 por quilo, segundo referência do Cepea, em sinal de que a indústria encontra menos espaço para sustentar cotações maiores na ponta da venda. Quando o atacado perde força, os frigoríficos tendem a pressionar a arroba para recompor margem.
A Frigol anunciou férias coletivas como parte do ajuste de produção. Em outras empresas, a reação tem sido reduzir compras e reorganizar escalas, com reflexo em praças como São Paulo e Cassilândia (MS). A estratégia diminui a necessidade imediata de boiadas, mas também limita a oferta de carne caso os produtores mantenham a retenção dos animais.
Para os pecuaristas, segurar o gado é uma forma de evitar vendas em um momento de pressão baixista. A decisão, porém, tem custo: animais terminados em confinamento consomem ração diariamente, e a demora para negociar pode corroer a margem se a arroba não reagir. A análise da Safras & Mercado é que as condições seguem desfavoráveis para acelerar os negócios enquanto compradores e vendedores insistirem em preços distantes.
O impasse ocorre depois de um primeiro semestre de valorização do boi gordo e antes de um período em que a oferta costuma ficar mais sensível. Projeções divulgadas em junho indicavam possibilidade de a arroba superar R$ 360 no último trimestre, apoiada em oferta mais enxuta e retomada da demanda externa, especialmente da China.
No curto prazo, o rumo da arroba depende de quem ceder primeiro. Se os frigoríficos mantiverem férias coletivas e escalas ajustadas, a pressão sobre os preços continua. Se a retenção dos pecuaristas reduzir a oferta disponível, a indústria pode voltar às compras em condições mais favoráveis ao produtor.











