quinta-feira, julho 9
MERCADO
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AGRO
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Agronegócio

Frigoríficos reduzem abates e travam boi gordo entre R$ 315 e R$ 320

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Cepea aponta recuo da carcaça casada no atacado paulista para R$ 23,77 por quilo.
  • Escalas de abate variam de 6 a 10 dias, com suspensão de operações aos sábados.
  • Frigol adotou férias coletivas para ajustar a produção à demanda mais fraca.
  • Indústrias reduzem compras enquanto produtores resistem a vender no patamar atual.
  • Safras vê condições desfavoráveis para acelerar negócios no mercado físico.

O mercado físico do boi gordo opera em queda de braço nesta quinta-feira (9). De um lado, frigoríficos reduzem o ritmo de compras, encurtam escalas e tentam impor preços menores. Do outro, pecuaristas resistem a entregar animais no patamar atual. O resultado é um mercado travado, com a arroba negociada principalmente entre R$ 315 e R$ 320.

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A pressão vem da indústria. Com margens apertadas e maior dificuldade para repassar preços no atacado, frigoríficos passaram a alongar negociações, suspender abates aos sábados em algumas unidades e ajustar a produção para evitar acúmulo de carne. As escalas de abate giram entre 6 e 10 dias, prazo considerado curto, mas suficiente para reduzir a urgência das compras.

O movimento já aparece no atacado paulista. A carcaça casada bovina recuou para R$ 23,77 por quilo, segundo referência do Cepea, em sinal de que a indústria encontra menos espaço para sustentar cotações maiores na ponta da venda. Quando o atacado perde força, os frigoríficos tendem a pressionar a arroba para recompor margem.

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A Frigol anunciou férias coletivas como parte do ajuste de produção. Em outras empresas, a reação tem sido reduzir compras e reorganizar escalas, com reflexo em praças como São Paulo e Cassilândia (MS). A estratégia diminui a necessidade imediata de boiadas, mas também limita a oferta de carne caso os produtores mantenham a retenção dos animais.

Para os pecuaristas, segurar o gado é uma forma de evitar vendas em um momento de pressão baixista. A decisão, porém, tem custo: animais terminados em confinamento consomem ração diariamente, e a demora para negociar pode corroer a margem se a arroba não reagir. A análise da Safras & Mercado é que as condições seguem desfavoráveis para acelerar os negócios enquanto compradores e vendedores insistirem em preços distantes.

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O impasse ocorre depois de um primeiro semestre de valorização do boi gordo e antes de um período em que a oferta costuma ficar mais sensível. Projeções divulgadas em junho indicavam possibilidade de a arroba superar R$ 360 no último trimestre, apoiada em oferta mais enxuta e retomada da demanda externa, especialmente da China.

No curto prazo, o rumo da arroba depende de quem ceder primeiro. Se os frigoríficos mantiverem férias coletivas e escalas ajustadas, a pressão sobre os preços continua. Se a retenção dos pecuaristas reduzir a oferta disponível, a indústria pode voltar às compras em condições mais favoráveis ao produtor.


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