A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce enviaram nesta quinta-feira (9) uma carta conjunta aos governos do Brasil e dos Estados Unidos pedindo um acordo de curto prazo para evitar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros — que podem chegar a 25% no âmbito da investigação da Seção 301.
O documento foi endereçado, pelo lado brasileiro, ao ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e ao chanceler Mauro Vieira. Pelos EUA, os destinatários são o representante comercial Jamieson Greer e o secretário de Estado Marco Rubio. As entidades defendem que uma solução negociada é o caminho mais eficaz para preservar a competitividade bilateral e evitar impactos negativos para empresas, trabalhadores e consumidores nos dois países.
A iniciativa chega ao fim de uma semana de audiências no USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) sobre as práticas comerciais brasileiras. Nesta quinta-feira, o próprio Greer afirmou que a decisão final será tomada “muito em breve” — declaração que amplia a pressão sobre os dois governos para alcançar um entendimento antes de qualquer anúncio oficial de sobretaxas.
Abordagem incremental como saída negociada
Na carta, as entidades propõem uma “abordagem incremental” — avanços graduais nas tratativas bilaterais já em curso — como condição para que se alcancem “resultados práticos” antes da aplicação de qualquer tarifa. O setor produtivo brasileiro teme que uma sobretaxa prejudique principalmente manufaturados, autopeças e produtos agrícolas, que têm os Estados Unidos como um de seus principais destinos de exportação.
A CNI e as câmaras de comércio argumentam que um acordo evitaria um cenário de retaliação e preservaria os fluxos bilaterais de comércio. A U.S. Chamber of Commerce, principal entidade empresarial americana, tem atuado para impedir medidas que possam desencadear uma guerra comercial com parceiros estratégicos.
Sobretaxa de 25% e incerteza sobre quais produtos
A tarifa adicional em discussão, que pode chegar a 25%, encareceria produtos brasileiros no mercado americano e reduziria a competitividade de setores responsáveis por bilhões de dólares em exportações anuais. O USTR ainda não divulgou a lista dos itens que podem ser sobretaxados, o que mantém exportadores sem saber quais segmentos estão na linha de fogo.
O governo brasileiro já havia se antecipado: o Itamaraty enviou ao USTR uma carta contestando as acusações de práticas comerciais desleais e defendendo os interesses dos exportadores nacionais — posição que a carta das entidades busca agora reforçar pela via do diálogo empresarial direto.
Decisão iminente, setores aguardam
O USTR não fixou cronograma oficial para encerrar a investigação, mas a declaração de Greer indica que a conclusão pode vir nas próximas semanas. Para setores como etanol, aço e agronegócio, que têm os EUA como mercado relevante, a resposta dos dois governos à carta desta quinta-feira deve definir se o caminho será a negociação ou a escalada tarifária.











