A 7ª Vara Federal Criminal de Santos mandou soltar, nesta quarta-feira (8), Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e outros seis investigados da Operação Exchange, que apura suposta lavagem ligada ao PCC.
A decisão da Justiça Federal encerra as prisões temporárias de sete alvos sem convertê-las em preventivas. O ponto central para o leitor é que a investigação continua, mas parte dos investigados deixa a custódia enquanto o processo segue.
O contraponto está na mesma decisão: a Justiça Federal decretou prisão preventiva de três investigados que não haviam sido localizados, entre eles Victor Henrique de Oliveira Shimada. Os nomes dos outros seis soltos e as cautelares aplicadas após a soltura não foram detalhados nos registros citados na apuração.
Stella foi uma das pessoas atingidas, em 1º de julho, por sanções econômicas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra suspeitos de ligação financeira com o PCC. O PIRANOT mostrou naquele dia que a medida mirava brasileiros e empresas apontados como parte de uma suposta rede financeira da facção.
Como a Operação Exchange chegou à soltura
A Operação Exchange foi deflagrada pela Polícia Federal em 3 de julho para desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que, segundo a corporação, usava criptomoedas e transações financeiras internacionais para enviar recursos ao Brasil em benefício do PCC.
O valor atribuído ao esquema é de R$ 10 bilhões. A apuração também registra cifra de R$ 10,4 bilhões vinculada ao caso e outra de R$ 1,9 bilhão associada às movimentações financeiras investigadas. Esses números sustentam a dimensão econômica da operação, sem permitir concluir culpa dos investigados.
A sequência começou em 1º de julho, quando o governo dos Estados Unidos anunciou sanções econômicas contra suspeitos de elo com o PCC. Dois dias depois, em 3 de julho, a Polícia Federal deflagrou a Exchange. Em 7 de julho, a Justiça Federal determinou a soltura de sete investigados e a preventiva de três foragidos.
O caso tem alcance nacional porque envolve a primeira aplicação de sanções diretas dos Estados Unidos contra cidadãos brasileiros por suposta ligação com facções criminosas nacionais. A operação também se conecta à ofensiva descrita pelo PIRANOT na sexta-feira (3), quando a Polícia Federal prendeu sete pessoas e mirou rede ligada ao PCC após as sanções americanas.
Quem segue na mira da investigação
Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira aparece como investigada solta após o término da prisão temporária. Victor Henrique de Oliveira Shimada aparece como investigado foragido com prisão preventiva decretada pela Justiça Federal.
A diferença entre os dois grupos é processual. Para os sete soltos, a prisão temporária não foi convertida em preventiva. Para os três não localizados, a Justiça Federal aceitou a preventiva, medida sem prazo automático de encerramento e que depende de nova decisão judicial para revisão.
A Polícia Federal atribui à Exchange a apuração de uma rede de lavagem com uso de criptoativos e operações internacionais. A investigação não se encerra com a soltura, e os investigados mantêm o direito de defesa até decisão final.
Publicação oficial ainda deve organizar a próxima etapa
Os próximos passos dependem da publicação integral dos atos e da execução dos mandados contra os três investigados com prisão preventiva decretada. A partir disso, defesa, Ministério Público Federal e Polícia Federal poderão se manifestar nos autos.
A decisão também deixa uma lacuna prática para acompanhar: quais cautelares, se houver, acompanharam a soltura dos sete investigados. Esse ponto define restrições como comparecimento periódico, proibição de contato ou limites de deslocamento.
Até nova decisão, a investigação segue com sete pessoas fora da prisão temporária e três alvos com preventiva decretada. O rito agora se desloca da fase de custódia inicial para a sustentação das provas reunidas na Operação Exchange.











