O PT desloca para Campinas a convenção que deve lançar Fernando Haddad ao governo de São Paulo em 2026. O ato está previsto para 25 de julho e substitui Ribeirão Preto, cidade que vinha sendo considerada para abrir a campanha petista no interior paulista.
A mudança reposiciona a largada de Haddad em uma das regiões mais populosas e competitivas do estado. Campinas tem peso eleitoral próprio, articula municípios de alta renda, universidades, indústria e serviços, e funciona como vitrine para uma campanha que tenta falar ao interior sem abandonar o eleitorado metropolitano.
O partido também tenta dar ao evento dimensão nacional, com expectativa de participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. A presença dos dois reforçaria a aposta de Haddad em apresentar a eleição paulista como disputa estratégica para o campo governista, não apenas como uma corrida estadual.
Troca de cidade muda o recado político da largada
Ao trocar Ribeirão Preto por Campinas, o PT altera o centro simbólico do lançamento. Ribeirão tem força no interior agrícola e empresarial; Campinas amplia o alcance para uma região mais próxima da capital, com grande concentração de eleitores e presença relevante de setores médios, universidades e polos tecnológicos.
Esse cálculo importa porque a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes tende a ser travada em terreno conhecido: de um lado, Haddad tenta organizar a frente governista em São Paulo; de outro, Tarcísio de Freitas aparece nas pesquisas recentes como principal adversário no campo da direita. A largada em Campinas busca reduzir a imagem de uma campanha restrita à capital e ao núcleo tradicional do PT.
A convenção também deve servir para acomodar aliados que já orbitam a chapa estadual, como PSB e federação PSOL-Rede. A composição vinha sendo desenhada nas semanas anteriores, com Márcio França no posto de vice e nomes como Simone Tebet e Marina Silva tratados no tabuleiro para o Senado.
Ato abre fase formal da campanha
A data de 25 de julho cai dentro do período de convenções partidárias, etapa em que os partidos oficializam candidaturas e alianças antes do registro na Justiça Eleitoral. Para Haddad, o evento deve marcar a passagem da pré-campanha para uma operação mais organizada de palanque, agenda regional e mobilização de aliados.
O endereço em Campinas ainda não foi tornado público pelo partido. Na prática, a definição do espaço dirá o tamanho pretendido para a largada: um ato mais restrito de convenção ou um evento com cara de demonstração de força, capaz de reunir lideranças nacionais, partidos aliados e militância do interior.
Até lá, a principal consequência política da mudança já está dada: o PT troca a largada em Ribeirão Preto por uma aposta em Campinas para apresentar Haddad ao eleitor paulista com discurso de interiorização e palanque nacional ao lado de Lula e Alckmin.











