O Itaú Unibanco fechou acordo para adquirir uma fatia de 9,98% na Denerge Desenvolvimento Energético — holding do grupo Energisa — com aporte de R$ 1,4 bilhão. A transação foi anunciada nesta segunda-feira (29) em comunicado ao mercado e integra a reorganização societária em curso no grupo, que busca simplificar sua estrutura de participações e reduzir o endividamento.
O banco entra como investidor puramente financeiro: sem assento no conselho da Denerge e sem influência sobre a gestão das distribuidoras do grupo, conforme estabelecido nos termos do acordo. Para o Itaú, a posição representa exposição ao setor elétrico de distribuição — segmento regulado, com receitas previsíveis e respaldadas por contratos de concessão de longo prazo.
A holding e o preço implícito
A Denerge reúne as participações do grupo Energisa em distribuidoras como Energisa MS, Energisa Sul-Sudeste, Energisa MT e Rede Energia. O aporte de R$ 1,4 bilhão por 9,98% do capital implica uma avaliação da holding em torno de R$ 14 bilhões — indicativo do peso do grupo Energisa no setor de distribuição de energia do país.
O movimento acompanha um interesse crescente de grandes bancos brasileiros por ativos de infraestrutura regulada. O Bradesco BBI também fez recentemente uma oferta vinculante por fatia da Motiva, braço de mobilidade do Grupo Mover — mais um sinal de que o capital financeiro nacional acelera a entrada em setores com receitas protegidas por regulação.
Impacto na estratégia da Energisa
Para a Energisa, a injeção de R$ 1,4 bilhão no caixa da Denerge chega em momento de expansão nas redes de distribuição. O grupo tem investido na modernização de suas operações: em 2024, automatizou o processamento de 136 mil requisições de atendimento crítico com 93,8% de assertividade, segundo dados da companhia. O reforço de capital pode viabilizar novos projetos de expansão, embora a Energisa não tenha divulgado planos específicos de aplicação dos recursos.
O grupo Energisa também enfrenta ação judicial do Ministério Público Federal que pede indenização de R$ 109,9 milhões por incêndio no Cerrado em 2024. O processo segue em tramitação na Justiça Federal.
Próximos passos
O fechamento do acordo está condicionado à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), além do cumprimento de condições contratuais. Somente após o aval regulatório os recursos serão efetivamente transferidos à Denerge. A Energisa não divulgou o cronograma esperado para as aprovações.
Com o capital reforçado, a Denerge amplia a capacidade de financiar a expansão das distribuidoras do grupo — e o Itaú garante um lugar estratégico em um dos maiores grupos privados de energia elétrica do país.









