O Itaú BBA revisou para cima sua projeção para a taxa Selic e passou a ver o juro básico encerrando o ciclo de cortes em 14% ao ano, ante 13,75% projetados anteriormente. O relatório, assinado pelo economista-chefe do banco, Mário Mesquita, e divulgado nesta sexta-feira (26), indica que o Banco Central fará apenas mais uma redução de 0,25 ponto percentual, na reunião de agosto do Copom.
A mudança de tom é significativa. O Itaú havia adotado leitura mais construtiva após a última decisão do Copom, enxergando espaço para uma flexibilização mais prolongada. Agora, o banco reconhece que a comunicação recente do Banco Central aponta para um “ciclo de calibração quase concluído”, segundo o relatório com o título “Na encruzilhada”.
Cautela do Copom pesa na revisão
A revisão do Itaú ocorre depois de o Banco Central reduzir a Selic em 0,25 ponto, em junho, para 14,25% ao ano. A ata do Comitê de Política Monetária, divulgada na terça-feira (23), evitou sinalizar o próximo passo e registrou piora do cenário inflacionário, com risco de a inflação permanecer acima da meta por mais tempo.
O Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições financeiras, também elevou a projeção da Selic para 2026 de 13,75% para 14% — a terceira revisão seguida para cima. A estimativa do Itaú se aproxima, assim, da mediana de mercado, sinalizando que o consenso se desloca para um patamar de juros mais alto.
Dólar mais forte pressiona custos e inflação
O Itaú BBA também recalibrou o câmbio. A projeção para o dólar ao fim de 2026 subiu de R$ 5,15 para R$ 5,30. Para 2027, passou de R$ 5,35 para R$ 5,50. A revisão reflete cenário externo mais adverso e afeta diretamente custos de importados, combustíveis, insumos industriais e viagens ao exterior — componentes que alimentam a inflação interna.
Com juro básico projetado em 14%, aplicações atreladas à Selic continuam favorecidas por retornos nominais mais altos, enquanto o crédito tende a seguir caro. Para contribuintes endividados, empresas com capital de giro e consumidores que dependem de financiamento, a diferença entre uma Selic de 13,75% e 14% mantém o custo financeiro em patamar elevado por mais tempo.
Bolso do brasileiro: menos alívio no horizonte
Se a Selic cai menos do que se esperava há poucas semanas, financiamentos, cartão rotativo, capital de giro e renegociação de dívidas têm menos alívio. Se o dólar sobe mais, parte dos custos dolarizados chega a bens importados, passagens, eletrônicos e cadeias produtivas que usam insumos externos. A projeção de inflação acima de 5%, já sinalizada por indicadores recentes, aperta ainda mais o espaço para cortes adicionais.
O próximo passo do Copom dependerá das leituras de inflação e atividade econômica nas próximas semanas. A ata de junho não assumiu compromisso com novo corte, e a projeção do Itaú trabalha com a hipótese de apenas mais uma redução de 0,25 ponto em agosto — o que, se confirmado, encerra o ciclo de flexibilização com juro ainda em 14% ao ano.









