O Banco Central liquidou 17 instituições financeiras desde a posse de Gabriel Galípolo, em janeiro de 2025, num processo de saneamento do sistema financeiro que já supera em escala o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), implementado entre 1995 e 1998 no rastro do Plano Real.
O Proer, lançado pelo governo FHC, resultou na intervenção de sete instituições — algumas liquidadas, a maioria vendida para outros bancos privados. Somando o Programa de Incentivo à Redução do Setor Público Estadual na Atividade Bancária (Proes), outros dez bancos foram extintos. Sob Galípolo, em menos de dois anos, o número de liquidações já chegou a 17.
O escândalo do Banco Master acelerou a nova fase de rigor regulatório. O caso envolve suspeitas de fraude contábil e falhas de governança, e colocou o presidente do BC no centro de uma operação que analistas do mercado passaram a chamar de “Proer 2.0” — rótulo que descreve a dimensão do movimento, embora não corresponda a um programa oficial com regras e fontes de financiamento definidas.
Impacto para poupadores e mercado
Para o poupador, a diferença prática está entre ruído de mercado e risco sistêmico. A liquidação de uma instituição não significa quebra generalizada dos bancos, mas indica que o regulador está retirando do mercado instituições consideradas inviáveis ou problemáticas. Depositantes de bancos liquidados contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) até o limite de R$ 250 mil por instituição.
O efeito mais imediato aparece na confiança do mercado. A retirada de instituições frágeis pode preservar a estabilidade do sistema, mas também reduz o apetite ao risco, encarece a captação e torna bancos menores mais dependentes de governança robusta e capitalização adequada.
Contexto de aperto monetário
A rodada de liquidações ocorre em um cenário de maior rigor da autoridade monetária. O BC elevou recentemente a projeção de inflação para 5,2% e sinalizou parada nos cortes da taxa Selic por conta de riscos fiscais, reforçando o peso da instituição sobre crédito, juros e expectativas da economia.
A comparação com o Proer histórico ajuda a dimensionar o esforço atual, mas o custo total das liquidações para o mercado e para os contribuintes ainda depende de eventuais mecanismos de apoio, compra de carteiras ou uso de recursos públicos — algo que, até o momento, não foi formalmente apresentado como pacote fiscal.
O que se sabe é que o saneamento segue em curso: 17 liquidações em menos de dois anos de gestão, número que já coloca a atual administração do Banco Central à frente do maior programa de reestruturação bancária da história recente do país. O próximo passo depende de o BC publicar o desenho da política — caso exista como programa — e de o mercado absorver o impacto da retirada das instituições frágeis.










