A Apple anunciou nesta quinta-feira (25) um reajuste de até 20% nos preços de MacBooks e iPads em mercados de todo o mundo, incluindo o Brasil. A empresa atribuiu o aumento à escalada nos custos de chips de memória e armazenamento — componentes cuja demanda disparou com a expansão dos centros de dados de inteligência artificial.
Em comunicado, a gigante de Cupertino classificou a situação como um “desafio sem precedentes” na indústria eletrônica e citou uma “extraordinária alta” na procura por semicondutores. “Nunca presenciamos um componente ter seu custo tão elevado e em tão pouco tempo”, declarou a empresa, que afirmou estar “trabalhando incansavelmente para encontrar soluções” para o problema.
A faixa de reajuste varia por modelo e configuração, com os itens de maior capacidade de processamento e armazenamento sofrendo os aumentos mais expressivos. A alta atinge tanto a linha de laptops quanto a de tablets e se aplica em múltiplos mercados — de Portugal ao Brasil.
Mercado reage com queda de 5% nas ações
O anúncio provocou uma queda de 5% nas ações da Apple no mesmo dia, o pior desempenho diário da companhia desde fevereiro. Investidores reagiram à combinação de repasse de custos e incerteza sobre o impacto do reajuste na demanda por equipamentos — especialmente em um cenário de inflação persistente e pressão sobre o poder de compra dos consumidores.
Pressão da IA redefine custo de componentes
O motor por trás do reajuste é a corrida armamentista de inteligência artificial. Os centros de dados que alimentam sistemas de IA consomem volumes crescentes de memória RAM e armazenamento SSD, o que espreme a oferta desses componentes para o restante da indústria e eleva seus preços em toda a cadeia. A Apple, embora não atue diretamente no mercado de servidores, depende dos mesmos fornecedores de semicondutores para seus equipamentos de consumo.
Paralelamente ao reajuste, a empresa estuda adiantar o lançamento da nova linha de chips M7 para MacBooks, segundo informações divulgadas nesta quinta. Não há, contudo, confirmação de vínculo direto entre esse cronograma e a nova tabela de preços.
O que muda para o consumidor
Para o consumidor brasileiro, o efeito é imediato: quem planejava atualizar um MacBook ou iPad nos próximos meses enfrenta um custo significativamente maior. A Apple ainda não divulgou uma tabela completa com os novos valores por modelo e configuração no Brasil, o que reduz a previsibilidade para quem precisa planejar a compra.
A expectativa é que os novos preços entrem em vigor gradualmente nos canais oficiais e revendedores autorizados. Quem tinha um modelo no radar deve comparar os valores antes de fechar a compra e avaliar se configurações intermediárias — que tendem a sofrer reajustes menores — atendem às necessidades. Não há, por enquanto, sinalização de reversão no curto prazo, já que a pressão sobre o custo de semicondutores permanece ativa.










