A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (25) a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III) em Três Lagoas (MS), com investimento superior a R$ 5 bilhões. O projeto, paralisado há 12 anos, foi formalizado em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assinatura de contratos para conclusão da planta.
As obras da UFN-III começaram em 2013 e foram interrompidas no ano seguinte, após mudança de diretrizes corporativas da estatal. A retomada agora se insere em um ciclo mais amplo de reindustrialização da Petrobras, que inclui R$ 6 bilhões em biorrefino em Cubatão (SP) e ajustes na carteira de ativos para priorizar fertilizantes e energia de transição.
Empregos e impacto local
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, destacou a qualificação de 1.200 pessoas e estimou até 8 mil empregos na fase de construção. O impacto imediato em Três Lagoas será a expansão da demanda por serviços, contratos e compras locais, com reflexo direto na arrecadação municipal. A companhia também destinou R$ 27 milhões a projetos socioambientais na região até 2030.
Por que a UFN-III importa para o agronegócio
A retomada ganha relevância estratégica no contexto da dependência brasileira de fertilizantes importados. O país comprou US$ 4,2 bilhões em fertilizantes no exterior em 2025, alta de 12% ante 2024. Os insumos respondem por cerca de 20% dos custos de produção de soja e milho — o que significa que uma fábrica nacional em escala tem potencial direto de aliviar a pressão sobre o custo da safra e a balança comercial.
A UFN-III, quando em operação, teria capacidade de suprir parcela significativa da demanda doméstica por nitrogenados. Durante a visita à fábrica, Lula criticou privatizações e defendeu o papel do Estado na produção de insumos estratégicos, argumentando que a soberania alimentar depende de autonomia em fertilizantes.
Desafio de execução
Apesar do anúncio, a Petrobras não divulgou cronograma técnico com capacidade instalada, metas de produção e data de entrada em operação. A companhia informou que as frentes de obra serão reabertas ao longo de 2026, mas sem detalhamento das etapas. Sem esses parâmetros, o efeito sobre os custos agrícolas e a redução de importações permanece como promessa em construção.
O próximo passo observável será a publicação do cronograma físico-financeiro e a atualização do licenciamento ambiental. Até lá, o investimento de R$ 5 bilhões segue como aposta institucional — não como produção mensurável. A pergunta que fica é a mesma de 2013: se desta vez a execução acompanha o anúncio.











