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Economia

PF mira acionistas bilionários e executivos de bancos em nova fase contra fraude das Americanas

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Na quinta, no Rio, a PF abriu a 2ª fase da investigação das Americanas com novos alvos entre acionistas e executivos.
  • A ordem judicial manteve teto de bloqueio de bens em R$ 54 bilhões para garantir futura reparação dos prejuízos.
  • Foi definido bloqueio inicial de até R$ 500 milhões contra executivos e diretores ligados à companhia.
  • A 1ª fase, em janeiro, tinha 12 prisões, 20 mandados e foco principal na engenharia contábil.
  • Nesta etapa, a mira inclui bancos, crédito, garantias e operações, e parte dos nomes e próximos alvos segue sob sigilo.

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que apura a fraude contábil de R$ 54 bilhões nas Lojas Americanas. Pela primeira vez desde o estouro do escândalo, a investigação alcança acionistas bilionários da empresa e executivos de instituições financeiras que teriam viabilizado operações ligadas ao esquema.

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A operação, conduzida em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF) e com apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), cumpre mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo. A 10ª Vara Federal Criminal do Rio determinou também o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões — o mesmo valor do rombo contábil revelado em 2023, quando a empresa pediu recuperação judicial.

Entre os alvos da nova fase está o acionista Carlos Alberto Sicupira, sócio do grupo 3G Capital e um dos controladores históricos da Americanas. É a primeira vez que a investigação avança sobre o núcleo de proprietários da empresa. Executivos de bancos privados também figuram como investigados, sob suspeita de terem conhecimento da fraude ou de terem contribuído para estruturar operações de crédito, garantias e lançamentos associados ao rombo.

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A nova etapa é baseada em três delações premiadas — dos ex-diretores Marcelo Nunes, Fábio Abrate e Flávia Carneiro —, na quebra de sigilo de dados da Americanas e em depoimentos colhidos ao longo de dois anos pela PF e pelo MPF. A primeira fase da operação, deflagrada em janeiro de 2025, resultou em 12 prisões e 20 mandados, com foco na engenharia contábil do esquema: operações simuladas, fornecedores fantasmas e manipulação de balanços.

Do balanço ao fluxo financeiro

A segunda fase marca uma inflexão na operação. Se a primeira etapa concentrou-se em como a fraude foi montada, a nova frente examina para onde o dinheiro foi e quem o intermediou. O questionamento central passou a incluir o papel de instituições financeiras na estrutura: se bancos financiaram operações sabidamente fraudulentas, se concederam garantias sobre ativos inflados ou se participaram de lançamentos de títulos vinculados ao esquema.

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O caso corre sob sigilo judicial, o que impede a divulgação da lista completa de investigados e dos detalhes de cada mandado. A Justiça já revogou, no entanto, uma prisão preventiva decretada contra o ex-CEO da empresa — medida que havia sido tomada na primeira fase da operação.

Efeito no mercado e na governança

O sequestro de até R$ 54 bilhões em bens cria restrição patrimonial imediata sobre os investigados e reabre o debate sobre governança corporativa no mercado brasileiro. O caso das Americanas já é considerado um dos maiores escândalos contábeis da história do país e abalou a confiança de investidores em processos de auditoria, transparência e controle de empresas listadas na B3.

Para instituições financeiras com exposição aos fluxos investigados, a ampliação da operação pode provocar revisão de relacionamentos comerciais e maior rigor em due diligence. Para o mercado de capitais, o caso funciona como paradigma de risco regulatório: a fraude demonstrou que inconsistências contábeis bilionárias podem permanecer ocultas por anos mesmo em companhias de grande porte com auditoria externa.

Próximos passos

A operação segue em andamento. Os próximos passos incluem análise forense dos documentos apreendidos, cruzamento de registros bancários e eventual ampliação dos bloqueios com base nos achados da perícia. O limite de R$ 54 bilhões corresponde ao valor total do prejuízo contábil apurado e representa o teto de reparação que a Justiça busca garantir para os credores da empresa.


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