quinta-feira, junho 25
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Economia

BC eleva projeção de inflação para 5,2% e trava cortes da Selic por risco fiscal

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Na quinta-feira (25/6/2026), o Banco Central do Brasil (BC) manteve o diagnóstico de queda mais rápida da inflação até 2028 e preservou cautela no ritmo de cortes da Selic.
  • No mesmo monitoramento, o BC atualizou projeções: inflação em 5,2% , PIB em 2% e chance de 79% de estourar o teto de meta de inflação em 2026.
  • Risco fiscal e convergência da inflação até 2028 Na análise do BC, a queda até a meta é tratada como processo gradual.
  • O BC também mantém a leitura de risco de estouro em 2026 em 79%, o que reduz margem para mudanças bruscas na política monetária.
  • Impacto para orçamento, crédito e mercado Com inflação ainda sem convergência plena e incerteza fiscal, o custo de capital de famílias e empresas segue sensível à manutenção da Selic.

O Banco Central revisou para cima as projeções de inflação e crescimento da economia para 2026 e sinalizou que a convergência dos preços à meta de 3% só deve ocorrer na virada para 2028. O cenário mais otimista para o PIB convive com um risco fiscal que trava a aceleração dos cortes da Selic.

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No Relatório de Política Monetária (RPM) divulgado nesta quinta-feira (25/6), a autoridade monetária elevou a projeção de inflação para 5,2% neste ano e a estimativa de crescimento do PIB de 1,6% para 2%. A revisão do produto reflete a surpresa positiva no resultado do primeiro trimestre e a melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa, segundo o documento.

O RPM também aponta 79% de probabilidade de a inflação estourar o teto da meta em 2026 — dado que reduz a margem de manobra para cortes mais agressivos na taxa básica de juros, atualmente em 14,25% ao ano após três reduções consecutivas do Comitê de Política Monetária (Copom).

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IPCA-15 alivia, mas não muda o rumo

A prévia da inflação (IPCA-15) de junho desacelerou para 0,41%, com pressão concentrada em alimentos e energia elétrica. O resultado alimentou expectativas de continuidade do ciclo de cortes da Selic, mas o BC mantém postura cautelosa: uma leitura favorável no mês não basta, isoladamente, para acelerar a queda dos juros.

A autoridade monetária exige confirmação repetida da trajetória descendente antes de abrir espaço para movimentos mais intensos. A convergência plena à meta é tratada como processo gradual, condicional à evolução fiscal — e não como avanço automático.

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Risco fiscal no centro do debate

As revisões ocorrem em meio a medidas de estímulo de crédito adotadas pelo governo federal neste ano de eleição. Cálculos do economista Marcos Mendes, do Insper, apontam que o conjunto de ações fiscais e creditícias já soma bilhões em impacto orçamentário. Para o BC, esses estímulos reforçam a atividade econômica, mas também sustentam a pressão sobre os preços e elevam a incerteza sobre as contas públicas.

O mercado acompanha essa tensão de perto. O Boletim Focus, levantamento semanal do próprio BC com instituições financeiras, já elevou a projeção da Selic para 14% ao final de 2026, marcando três semanas consecutivas de revisão para cima. A expectativa para a inflação no ano também subiu na sequência, atingindo 5,33%.

O que muda para o bolso

Com a inflação ainda distante da meta e a Selic em patamar elevado por mais tempo, o custo do crédito para famílias e empresas tende a permanecer alto. Financiamentos de veículos, imóveis e capital de giro continuam caros, e a melhora mensal do IPCA-15 não se traduz em alívio imediato nas taxas cobradas pelos bancos.

No front externo, a indefinição do conflito no Oriente Médio entre Irã, Estados Unidos e Israel adiciona outra camada de incerteza aos preços de commodities e à trajetória da inflação global — fator que o BC cita como elemento de vigilância no relatório.

O próximo teste para a trajetória de juros virá com as atas do Copom e as leituras subsequentes do IPCA. Até lá, a mensagem da autoridade monetária é clara: a inflação caminha para a meta, mas o ritmo dos cortes depende do que acontecer com as contas públicas.


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