Qualcomm vai desenvolver chips de data center específicos para clientes chineses, em conformidade com os controles de exportação dos Estados Unidos. A estratégia integra a nova linha Dragonfly, marca apresentada pela companhia para disputar o mercado de infraestrutura de inteligência artificial — hoje dominado pela Nvidia.
O CEO Cristiano Amon afirmou ao jornal Nikkei Asia que a empresa está de olho no mercado chinês para seus produtos de data center, incluindo o desenvolvimento de chips adaptados a clientes do país que respeitem as restrições de exportação americanas. A medida abre caminho para a Qualcomm disputar contratos em um dos maiores mercados de IA do mundo, ainda que sob limitações impostas por Washington.
Dragonfly: da CPU ao acelerador de IA
Revelada durante o keynote da Qualcomm no COMPUTEX 2026, em Taipei, a marca Dragonfly abrange CPUs de servidor, aceleradores de IA e projetos de silício personalizado. O primeiro produto da linha, o Dragonfly C1000, é uma CPU de data center projetada para aplicações de IA agentiva — sistemas capazes de executar tarefas de forma autônoma, sem intervenção humana constante.
A Meta foi anunciada como primeiro cliente nomeado, com produção inicial prevista para 2028. A Qualcomm também fechou acordo com a ByteDance, controladora do TikTok, para fornecimento de chips de IA em data centers, ampliando sua base de contratos na Ásia.
Meta de US$ 15 bilhões e rota de colisão com a Nvidia
A companhia projeta que as vendas de chips de data center atinjam mais de US$ 15 bilhões por ano até 2029, segundo informações divulgadas após o anúncio. A projeção impulsionou as ações da Qualcomm no pré-mercado.
A aposta representa uma mudança de rota para a Qualcomm, tradicionalmente conhecida por seus chips para dispositivos móveis. A empresa está redesenhando processadores para data centers, que costumam ser alimentados por GPUs e chips de memória de alta largura de banda (HBM) — segmento em que a Nvidia lidera com folga. Com o Dragonfly, a Qualcomm oferece uma alternativa que combina CPU e acelerador de IA em arquitetura modular, reduzindo a dependência de componentes de alto custo.
O movimento coloca a Qualcomm em confronto direto com Nvidia, AMD e Intel, que também aceleram suas apostas em infraestrutura de IA. A disputa pelo mercado de data center tende a se intensificar nos próximos anos, à medida que empresas de tecnologia aumentam investimentos em capacidade de processamento para treinar e operar modelos de inteligência artificial em larga escala.











