A Polícia Federal, em conjunto com o Ministério Público Federal, deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, com nove mandados de busca e apreensão cumpridos entre o Rio de Janeiro e São Paulo. Os alvos incluem os empresários Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, acionistas da Americanas, além de ex-conselheiros da companhia e executivos de instituições financeiras.
A 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro autorizou os mandados e determinou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados até o limite de R$ 54 bilhões — valor que corresponde à estimativa das supostas fraudes contábeis objeto da investigação. Não houve detalhamento público do bloqueio por pessoa ou por ativo.
Segundo as investigações, os nove suspeitos teriam conhecimento de fraudes contábeis praticadas ao longo de anos, relacionadas a operações de risco sacado e a contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico na Americanas. Há também indícios de manipulação de mercado e associação criminosa.
Investigação avança sobre controladores
A primeira fase da Operação Disclosure, conduzida em 2025, concentrou-se em executivos e instituições financeiras citados nas apurações. Agora, o foco migra para os controladores da empresa e para documentos societários de decisão, para aferir se houve conhecimento prévio das inconsistências contábeis e como elas foram autorizadas na gestão da companhia.
As buscas ocorreram em endereços de gestão e assessoria ligados aos investigados nos dois estados. Os mandados incluem buscas pessoais, conforme autorização judicial.
Peso bilionário e efeito de mercado
O sequestro de R$ 54 bilhões é a medida cautelar mais expressiva da operação até agora. Embora não configure condenação, sinaliza a gravidade que a Justiça Federal atribui ao caso e pode provocar reavaliação imediata de risco por investidores, credores e fornecedores que acompanham a recuperação judicial da Americanas.
Lemann e Sicupira integram o grupo 3G Capital e mantêm participações em empresas de escala nacional, como a Raízen. A dimensão dos negócios dos dois investidores amplia a atenção do mercado sobre eventuais efeitos cruzados de governança e de crédito em outras companhias do portfólio.
Próximos passos
O material apreendido nas buscas será analisado e submetido ao juízo da 10ª Vara Federal Criminal do Rio. Novos bloqueios e medidas coercitivas dependem de pedido fundamentado pelo MPF e de decisão judicial. A defesa dos investigados e a Americanas não haviam emitido notas públicas sobre a diligência até a tarde desta quinta-feira.











