Os investimentos em saneamento básico de São Paulo permaneceram estagnados abaixo de R$ 7 bilhões por uma década antes de ultrapassar a marca de R$ 15 bilhões, segundo dados divulgados pela Agência SP. O salto ocorre no rastro da desestatização da Sabesp, concluída pelo governo estadual em agosto de 2024, que abriu espaço para ampliar o volume de recursos destinados à universalização dos serviços de água e esgoto.
A trajetória de baixo investimento prolongou por anos uma realidade conhecida: o estado de São Paulo tem 95% de cobertura de água tratada, mas apenas 53% de coleta de esgoto — índice abaixo da média nacional e com lacunas críticas na região metropolitana e no interior. A deficiência mantém milhões de paulistas expostos a riscos sanitários e ambientais, especialmente em bacias hidrográficas sob pressão urbana.
Desestatização acelera o cronograma
Com a privatização da Sabesp, o estado ganhou fôlego para antecipar metas. O Plano Regional de Saneamento Básico prevê R$ 260 bilhões em investimentos até 2060. No curto prazo, a previsão é de R$ 70 bilhões aplicados até 2029, com foco em expandir a rede de coleta e tratamento de esgoto nas áreas de maior déficit.
A Agência SP projeta que a companhia invista, nos próximos anos, uma média de R$ 369 por habitante — valor quase três vezes superior à média nacional de R$ 137,02 por habitante registrada em 2024, segundo o Ranking do Saneamento 2026 do Instituto Trata Brasil.
Desafio: transformar anúncio em execução
O novo patamar financeiro representa uma virada em relação à década de baixo desembolso, mas especialistas em saneamento alertam que o salto orçamentário só se converte em avanço real se vier acompanhado de execução acelerada das obras. A Agência SP ainda não detalhou a série anual completa de investimentos nem a distribuição regional dos recursos, o que dificulta avaliar se a aceleração será uniforme ou concentrada em poucas áreas.
A universalização dos serviços de água e esgoto é condição prévia para a redução de doenças diarréicas e da mortalidade infantil, conforme a Organização Mundial da Saúde. Em São Paulo, o déficit de coleta de esgoto atinge regiões onde a cobertura fica abaixo de 40%, criando contraste gritante entre bairros atendidos e periferias deixadas para trás.
O próximo passo para validar a mudança de patamar é a publicação de planilhas anuais consolidadas, com base orçamentária, origem dos recursos e metas de cobertura física por região. Até lá, o dado confirma um marco financeiro novo — mas a transformação concreta no cotidiano dos paulistas dependerá da velocidade com que os R$ 70 bilhões previstos até 2029 sairão do papel.











