Mais de 1.520 denúncias de golpe do falso advogado foram registradas desde o início de 2026 em São Paulo. Criminosos usam dados reais de processos judiciais para convencer vítimas a pagar taxas inexistentes e liberar valores, acordos ou indenizações que nunca chegam.
A fraude não depende de presença física: o contato costuma ocorrer por aplicativos de mensagem, como o WhatsApp. Criminosos se passam por advogados, escritórios ou representantes ligados à causa da vítima e usam detalhes verdadeiros do processo — número, partes envolvidas, fase atual — para dar aparência de legitimidade à cobrança.
Dados reais dão aparência de cobrança legítima
As informações usadas pelos golpistas podem vir de processos públicos, disponíveis para consulta em tribunais. A vítima recebe uma mensagem com dados corretos do seu processo e é induzida a pagar uma taxa, supostamente necessária para liberar valores retidos, formalizar acordo ou receber indenização. A urgência e a precisão das informações aumentam a credibilidade da abordagem e reduzem a desconfiança.
Em um caso registrado em junho, um caminhoneiro perdeu R$ 45 mil após receber contato de falsos advogados que usaram dados de uma ação judicial real para cobrar taxas de liberação. O prejuízo individual ilustra o potencial de dano da fraude, que atinge cidadãos em situação de vulnerabilidade — pessoas que aguardam decisões judiciais ou têm causas em andamento.
Para o leitor, o sinal de alerta está na combinação entre urgência, cobrança inesperada e pedido de pagamento fora do canal habitual. Contatos sobre processo judicial devem ser conferidos diretamente com o advogado já contratado, por telefone conhecido, e não pelo número que enviou a mensagem.
Vítima deve preservar provas e registrar ocorrência
O Ministério da Justiça e Segurança Pública orienta vítimas de fraudes a reunir comprovantes, capturas de tela, dados das contas usadas no pagamento e números de telefone envolvidos. Essas informações ajudam no bloqueio de valores e na investigação policial.
Quem pagou deve avisar imediatamente o banco ou a instituição de pagamento e solicitar os procedimentos de contestação disponíveis. A comunicação rápida não garante recuperação do dinheiro, mas pode reduzir o tempo de circulação dos valores entre contas usadas por fraudadores.
O registro de boletim de ocorrência deve ser feito com a maior quantidade possível de dados verificáveis. Em São Paulo, a Polícia Civil é o órgão responsável por apurar crimes dessa natureza. A vítima deve evitar negociar novos pagamentos com o contato suspeito e confirmar qualquer cobrança processual com seu advogado por canal já conhecido antes de transferir dinheiro.











