Cerca de 72 navios transportando aproximadamente 20 milhões de barris de petróleo cruzaram o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, informou nesta quarta-feira (24) o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright. O número indica manutenção do tráfego pela via marítima após o acordo inicial entre EUA e Irã para encerrar a guerra.
“O Irã não terá capacidade de fechar o Estreito de Ormuz daqui para frente. Isso é algo crucial, pois essa era sua principal forma de pressão”, disse Wright durante o Fórum Global de Energia da Reuters, em Nova York. O secretário admitiu, contudo, que a normalização das condições no estreito ainda levará algumas semanas.
Wright refutou a ideia de que o presidente Donald Trump foi surpreendido pela extensão dos impactos dos ataques contra o Irã e afirmou que o mandatário tinha conhecimento pleno das implicações das operações militares. Segundo o secretário, mesmo sem o acordo com o Irã, os Estados Unidos garantiriam a livre navegação na região.
Petróleo recua com reabertura da via
O mercado reagiu à retomada dos fluxos em Ormuz com queda nos preços. O WTI operou abaixo de US$ 70 e o Brent ficou em torno de US$ 75 o barril, atingindo as mínimas desde o início da guerra. O recuo reflete a reavaliação do risco geopolítico pelos investidores diante da perspectiva de normalização do tráfego.
Trump afirmou ainda que o Irã garantiu aos EUA que não haverá cobrança de pedágio ou taxas de navios no estreito, apesar de declarações anteriores em sentido contrário. A garantia, se mantida, elimina um custo adicional para armadores e companhias de navegação que utilizam a rota.
Retirada de tripulações ainda leva semanas
A normalização completa do tráfego, porém, esbarra na logística de pessoal. O chefe da Organização Marítima Internacional (OMI) informou que a retirada de marinheiros de navios que permanecem na região do estreito ainda levará semanas. O prazo orienta a reposição de tripulações e a preparação de embarcações para o trânsito regular.
O movimento de navios por Ormuz vem crescendo de forma gradual desde o início da ofensiva. No último dia 20, 55 embarcações cruzaram o estreito; no dia 21, foram 67. O dado mais recente, de 72 navios, aproxima-se dos volumes observados antes do conflito. Os EUA abriram um canal alternativo ao sul do estreito após o Irã minar o canal central, e vêm escoltando navios por essa rota.
O próximo passo é a verificação de uma nova janela de 24 horas para confirmar a tendência de retomada. Armadores e empresas de energia utilizam esses dados como parâmetro para ajustar cronogramas de escala e precificar riscos operacionais no curto prazo.










