A defesa de Felipe Cançado Vorcaro, primo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo técnico que contradiz a versão da Polícia Federal sobre uma suposta fuga em carrinho de golfe durante a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em janeiro em Trancoso, no sul da Bahia.
O parecer, elaborado por peritos especializados em comparação morfológica facial, conclui que os traços da pessoa registrada nas câmeras de segurança do condomínio Terravista são incompatíveis com os de Felipe. Segundo a defesa, quem aparece nas imagens deixando o condomínio de luxo não é o investigado, mas seu sogro, Henrique Cançado Vorcaro, e outro hóspede — o que configuraria erro de identificação da PF, não evasão probatória.
A suposta fuga foi um dos elementos usados pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, para decretar a prisão preventiva do empresário. Com a contratação do criminalista Alberto Zacharias Toron, um dos advogados mais renomados do país, a defesa protocolou pedido de reconsideração da custódia. A entrada de Toron ocorreu após a Segunda Turma do STF manter, por dois votos a um, as prisões preventivas de Felipe e de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro.
A chegada de Toron marca mais uma mudança na equipe jurídica do primo do ex-banqueiro. Com ele, deixou o caso o escritório do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais Sergio Antônio de Resende.
Prisão mantida em junho
Em 16 de junho, a Segunda Turma do STF confirmou a custódia cautelar de Felipe e de Henrique Vorcaro. O ministro Gilmar Mendes divergiu e votou pela conversão da prisão de Henrique em domiciliar e pela soltura de Felipe, mas foi vencido. A maioria entendeu que a liberdade dos investigados representaria risco à ordem pública e à instrução criminal.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraude no Banco Master, instituição controlada por Daniel Vorcaro. A operação já resultou em prisões e medidas cautelares contra o ex-banqueiro, seu pai e seu primo, com desdobramentos que incluem tentativas de delação premiada recusadas pela PF e análises da Procuradoria-Geral da República sobre o acervo probatório.
Como informou o PIRANOT em 14 de junho, Mendonça consultou a PGR sobre pedido da PF para desfazer a transferência de Daniel Vorcaro que havia sido feita para facilitar uma negociação de colaboração. A segunda proposta de delação foi recusada pela PF em 10 de junho.
Decisão nas mãos de Mendonça
O pedido de Toron aguarda análise de André Mendonça. Caberá ao relator avaliar se o laudo técnico é suficiente para afastar a acusação de fuga e, em consequência, rever a prisão preventiva de Felipe. O Ministério Público Federal ainda não se manifestou sobre o parecer da defesa.
Se acolhido, o laudo pode reabrir o debate sobre a necessidade da custódia cautelar — sem afetar o mérito da investigação financeira que sustenta o caso do Banco Master, mas com impacto direto sobre o regime e a duração da prisão de Felipe Cançado Vorcaro.









