Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta terça-feira (23), em Brasília, sobre uma pistola Glock 9 mm registrada em seu nome e apreendida durante uma blitz no DF.
A oitiva ocorreu oito dias depois da apreensão, registrada em 15 de junho. O ex-presidente foi chamado a explicar as circunstâncias em que a arma chegou ao local da abordagem e qual era a situação da pistola no momento em que ela foi recolhida.
Conforme informações divulgadas sobre o depoimento, Bolsonaro afirmou à polícia que a pistola havia sido entregue para conserto. A versão passa a integrar o procedimento conduzido pela Polícia Civil, responsável por reunir os registros da apreensão, ouvir os envolvidos e definir o encaminhamento do caso.
O depoimento foi breve e, de acordo com relatos convergentes, durou cerca de 40 minutos. A duração, porém, é menos relevante do que o efeito prático do ato: a polícia colheu a versão do titular registral indicado para a arma e agora pode confrontá-la com o auto de apreensão, os dados do registro e as informações da abordagem.
O que a oitiva acrescenta ao caso
O caso gira em torno de três pontos: a apreensão da Glock 9 mm em uma abordagem no Distrito Federal, o registro da arma em nome de Bolsonaro e a necessidade de esclarecer por que a pistola estava fora da posse direta do ex-presidente no momento da blitz.
Por ora, a oitiva não representa, sozinha, uma acusação formal nem altera automaticamente a situação judicial de Bolsonaro. Trata-se de um ato policial de esclarecimento, etapa comum quando uma autoridade precisa identificar a origem, a circulação e a regularidade de uma arma apreendida.
A Polícia Civil pode encerrar o procedimento se entender que a explicação e os documentos afastam irregularidades, ou encaminhar o caso ao Ministério Público ou a outra autoridade caso identifique indício de infração. Também pode solicitar novas diligências, como a juntada de documentos sobre o conserto mencionado no depoimento.
Próximo passo depende de ato formal
O ponto decisivo agora é o destino formal do procedimento. Com o depoimento concluído, a Polícia Civil deve avaliar se a versão apresentada por Bolsonaro é compatível com os registros da apreensão e com a documentação da pistola.
Enquanto não houver despacho da polícia, manifestação do Ministério Público ou decisão judicial vinculando a oitiva a outra medida, o caso permanece no campo policial. A consequência prática desta terça-feira é a inclusão da versão de Bolsonaro no procedimento sobre a Glock apreendida em Brasília.










