O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (23), no Rio de Janeiro, que nenhum governo investiu em Rio de Janeiro e São Paulo tanto quanto as administrações petistas. A declaração foi feita durante agenda ligada à Rodovia Presidente Dutra, corredor que conecta os dois maiores colégios eleitorais do país.
A fala tem peso político imediato: Rio e São Paulo concentram os maiores eleitorados do Brasil e serão decisivos na eleição presidencial de outubro de 2026, em que Lula disputa a reeleição. Ao transformar investimento federal em argumento de campanha, o presidente antecipa uma das linhas centrais de sua narrativa para o ano eleitoral: o PT como gestor que destina mais recursos para os estados mais populosos do país.
Comparação entre governos depende de metodologia
A afirmação presidencial é verificável, mas a resposta depende da métrica adotada. Investimentos federais podem ser medidos por valores pagos, empenhados ou anunciados; por repasses diretos a estados e municípios; por obras do Programa de Aceleração do Crescimento; ou por gastos de estatais federais. Cada recorte produz resultados diferentes ao comparar os governos Lula e Dilma com os de Fernando Henrique Cardoso, Michel Temer e Jair Bolsonaro — e a comparação exige correção monetária para ter validade.
São Paulo e Rio de Janeiro também têm realidades internas distintas: infraestrutura federal, repasses a municípios e obras não seguem a mesma distribuição dentro de cada estado. O que vale para a capital e a região metropolitana não necessariamente se repete no interior — e a narrativa presidencial não faz esse recorte.
Dutra como símbolo de presença federal
A escolha da Dutra como cenário não é acidental. A rodovia é o principal eixo rodoviário entre Rio e São Paulo — dois estados que o PT precisa vencer em 2026 para garantir a reeleição. Associar obras de infraestrutura, geração de empregos e presença federal a esses territórios é parte calculada da estratégia do Planalto para o período eleitoral.
No mesmo dia, Lula assinou a adesão do Rio de Janeiro ao Propag, programa federal de reequilíbrio fiscal, e citou o ex-governador Sérgio Cabral ao defender a parceria com o estado. Os dois eventos seguem o mesmo eixo: entregas federais em estados com peso fiscal, eleitoral e simbólico.
A declaração sobre investimentos integra um esforço mais amplo do Planalto de construir narrativa de legado antes das eleições. No calendário de 2026, Rio e São Paulo — os dois estados com maior eleitorado do Brasil — serão o palco principal dessa disputa de narrativas.











