A Tereos encerrou a safra 2025/26 no Brasil com lucro líquido de R$ 137 milhões, resultado 62% inferior ao ciclo anterior, quando o grupo havia registrado R$ 364 milhões. O recuo no lucro, no entanto, acompanha uma melhora expressiva nas condições financeiras da empresa: a dívida líquida caiu 19% e o caixa fechou o período em R$ 1,996 bilhão — sinal de que o grupo priorizou solidez financeira em um ciclo de menor volume operacional.
A moagem totalizou 17,9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul, queda de 12,3% sobre a safra anterior. Para compensar o menor volume processado, a Tereos elevou a participação do açúcar no mix de produção para 71%, gerando 1,7 milhão de toneladas do produto no ciclo. Os investimentos totais no período somaram R$ 839 milhões.
Menos cana, mais açúcar: a aposta que define o ciclo
A combinação de menor moagem com maior proporção de açúcar reflete uma escolha operacional deliberada da Tereos no ciclo 2025/26. O setor sucroalcooleiro do Centro-Sul operou sob pressão de estiagem e oscilações no preço internacional do açúcar ao longo da safra — fatores que afetaram tanto a disponibilidade de cana quanto as decisões de composição do mix nas usinas. Ao destinar 71% do processamento ao açúcar, a Tereos alinhou sua operação à commodity mais rentável do período frente ao etanol.
Em fevereiro de 2026, a Tereos concluiu a venda de uma de suas usinas no Brasil, parte da estratégia de controle de endividamento do grupo. O movimento contribuiu para o contexto da redução de 19% na dívida líquida registrada ao fim do ciclo.
O que o resultado da Tereos revela sobre o setor sucroalcooleiro
O desempenho da Tereos é acompanhado de perto pelo mercado sucroalcooleiro. Com operações concentradas no Centro-Sul, o grupo francês está entre os maiores processadores de cana do Brasil — e seu balanço de safra funciona como termômetro do segmento em um ciclo marcado por desafios climáticos e pressão sobre margens.
O resultado chega em um momento de atenção crescente ao crédito rural no país. Os pedidos ao Plano Safra 2026/27 chegaram a R$ 652 bilhões, refletindo a busca por financiamento em um setor onde controle de endividamento e geração de caixa ganham peso crescente. A Tereos encerrou o ciclo em posição mais confortável do que os números de lucro, sozinhos, sugerem: com caixa de quase R$ 2 bilhões e dívida em queda, o grupo chega à safra 2026/27 com mais espaço de manobra do que tinha no ciclo anterior.










