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Economia

Câmara aprova projeto que permite produto nacional 30% mais caro em licitação

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Texto segue agora para análise do Senado Federal.
  • Margem maior vale para itens sustentáveis ou inovadores.
  • Regra atual citada no dossiê permite preferência de até 20%.
  • Proposta inclui diretrizes para política industrial bianual.
  • Governos poderão pagar mais sem estimativa oficial de impacto.

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (17) um projeto que amplia a margem de preferência para bens e serviços nacionais nas compras públicas. Na prática, a proposta permite que produtos brasileiros enquadrados nas regras de sustentabilidade ou inovação tecnológica vençam licitações mesmo com preço até 30% superior ao de concorrentes.

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O texto aprovado é o Projeto de Lei 4133/23, apresentado pelo deputado Heitor Schuch (PSD-RS), com substitutivo do relator Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). A proposta ainda precisa passar pelo Senado antes de seguir para sanção presidencial.

A mudança mexe em uma das áreas mais sensíveis da política industrial: o uso do poder de compra do Estado para favorecer fornecedores locais. União, estados e municípios contratam bens, obras e serviços por licitação, e qualquer alteração na regra de desempate ou preferência pode deslocar bilhões de reais entre empresas nacionais e estrangeiras.

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Como funciona a nova margem

A Lei de Licitações já admite margem de preferência para produtos nacionais. A regra em vigor permite tratamento favorecido em determinadas contratações, com limite de até 20%. O projeto aprovado pela Câmara eleva esse teto para 30% quando a compra envolver bens ou serviços considerados sustentáveis ou ligados à inovação tecnológica.

Isso significa que o menor preço nem sempre será suficiente para vencer. Se a contratação se encaixar nos critérios previstos, uma proposta nacional poderá superar uma concorrente estrangeira mesmo custando mais, desde que a diferença esteja dentro da margem autorizada.

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O desenho aprovado também prevê diretrizes para uma política industrial bianual, o que reforça a intenção de transformar a preferência em instrumento permanente de estímulo à produção local, e não apenas em uma exceção pontual dentro das licitações.

Indústria ganha proteção; governo assume custo potencial

Para fabricantes e prestadores de serviços nacionais, a ampliação aumenta a proteção contra competidores externos, especialmente em segmentos nos quais preço, escala e tecnologia pesam na disputa. A medida também pode favorecer empresas que invistam em inovação ou adaptem produtos a critérios ambientais exigidos pelo poder público.

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O outro lado da conta está no gasto público. Ao permitir a contratação de uma proposta mais cara, a política troca parte da economia imediata da licitação por um objetivo industrial: preservar produção, empregos, tecnologia e fornecedores no país. Sem estimativa oficial de impacto, porém, ainda não há medida clara do custo adicional para governos e contribuintes.

A proposta também deixa pontos relevantes para definição posterior. A aplicação concreta da margem dependerá dos critérios usados para classificar bens e serviços como sustentáveis ou inovadores, dos setores contemplados e da regulamentação adotada pelos órgãos compradores.

Senado pode mudar o alcance da regra

Com a aprovação na Câmara, o projeto segue para análise dos senadores. O Senado pode aprovar o texto sem mudanças, alterar trechos da proposta ou rejeitá-la. Se houver modificação, a matéria volta para nova votação dos deputados.

Até lá, a preferência maior ainda não vale nas licitações. O próximo passo é a decisão do Senado sobre manter ou reduzir o alcance da margem de 30% para bens e serviços nacionais sustentáveis ou inovadores.