quarta-feira, junho 17
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Economia

Trump cita Xi e Putin e diz que Ormuz não terá pedágio após acordo com Irã

· 4 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT

Pontos-chave

  • Declaração foi feita no G7, na França, dois dias após anúncio de cessar-fogo.
  • Trump atribuiu ao Paquistão a mediação direta das negociações com Teerã.
  • Estreito de Ormuz concentra preocupação por ser rota estratégica de petróleo.
  • Ainda não há texto público sobre eventual taxa ou isenção para navios.

Donald Trump agradeceu nesta quarta-feira (17) a postura que classificou como “neutra” de Xi Jinping e Vladimir Putin durante a guerra entre Estados Unidos e Irã, dois dias depois de anunciar um cessar-fogo negociado com mediação do Paquistão.

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A declaração, feita durante a cúpula do G7 em Evian-les-Bains, na França, colocou China e Rússia no entorno diplomático do acordo, embora Trump tenha atribuído a condução direta das negociações ao primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. “Eles tornaram tudo muito melhor”, disse o presidente americano ao mencionar os líderes chinês e russo.

O ponto mais sensível do acerto, porém, não está na fotografia diplomática, mas no Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais importantes para o petróleo no mundo. Trump afirmou que a rota não terá pedágio e que navios já voltaram a circular pela região. O Irã, por sua vez, mencionou a cobrança de uma “taxa de serviço”, expressão que mantém aberta a disputa sobre o custo de passagem pelo estreito.

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A diferença entre “pedágio” e “taxa de serviço” não é apenas semântica. Qualquer cobrança sobre a circulação em Ormuz pode afetar fretes, seguros e contratos de fornecimento de petróleo e derivados. Para países importadores, como o Brasil, a incerteza entra no radar porque pressões adicionais na rota podem chegar ao preço internacional do barril e, depois, aos combustíveis.

Paquistão mediou negociação após três meses de guerra

A guerra entre Irã e Estados Unidos começou em 15 de março de 2026 e durou mais de três meses. Trump anunciou o cessar-fogo em 15 de junho, depois de uma rodada de conversas conduzida pelo Paquistão. A assinatura formal do acordo está prevista para sexta-feira (19), em Genebra.

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A presença indireta de Pequim na reta final das tratativas já aparecia antes do anúncio. Em 25 de maio, Xi recebeu Shehbaz Sharif em Pequim, em um encontro associado ao esforço para aproximar as posições de Washington e Teerã. Putin também foi citado por Trump como parte do ambiente de contenção do conflito, embora a palavra “neutra” tenha sido usada pelo presidente americano, não como uma declaração conjunta de China e Rússia.

O cuidado na formulação importa porque China e Rússia têm interesses próprios na região. Pequim depende de estabilidade nas rotas de energia e mantém relação estratégica com Teerã. Moscou, por sua vez, tenta preservar influência no Oriente Médio sem assumir o custo direto de uma escalada contra Washington.

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Ormuz vira teste econômico do cessar-fogo

O Estreito de Ormuz liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico. Por ali passa uma fatia relevante do petróleo transportado por mar, o que transforma qualquer ameaça de bloqueio, cobrança ou inspeção adicional em fator de instabilidade para o mercado global de energia.

Ao dizer que não haverá pedágio, Trump tenta vender o acordo como uma normalização rápida da rota. A menção iraniana à “taxa de serviço”, contudo, sugere que Teerã pode buscar algum mecanismo de controle ou remuneração sobre a circulação no estreito. A redação que será assinada em Genebra terá de esclarecer se a passagem ficará livre, se haverá cobrança administrativa ou se a fórmula será deixada para negociação posterior.

Para o Brasil, o impacto não é automático, mas pode aparecer se o impasse elevar o custo do transporte ou reacender prêmio de risco no petróleo. O país produz óleo, mas também importa derivados e está exposto às oscilações internacionais que influenciam gasolina, diesel e querosene de aviação.

A assinatura em Genebra será o primeiro teste concreto do cessar-fogo: além de formalizar a trégua, o texto deve indicar se a promessa de Trump sobre Ormuz prevalece ou se a cobrança defendida pelo Irã entra no funcionamento da rota.