O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “imbecil” nesta quarta-feira (3), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto convocada para discutir a tarifa de 25% que o governo de Donald Trump pretende aplicar a produtos brasileiros. A fala mira o pré-candidato do PL à Presidência a quatro meses da eleição.
Lula falou por cerca de 20 minutos na abertura do encontro e usou o tarifaço para alinhar o discurso do governo contra a oposição, segundo fontes oficiais. O presidente afirmou ainda ter combinado com Trump um prazo para tentar um acordo antes da entrada em vigor da taxa.
A ofensiva contra Flávio repete o tom adotado na véspera em Catalão (GO), quando Lula associou a família Bolsonaro à articulação da taxação americana e classificou os filhos do ex-presidente como “traidores da pátria”. Na ocasião, o presidente afirmou que “os filhos são piores que Bolsonaro”.
Tarifaço entra no eixo eleitoral
O Planalto trata a tarifa de 25% como gesto político alinhado ao bolsonarismo e busca transformar a medida em pauta de campanha. A taxa foi anunciada por Trump como retaliação comercial, e o governo brasileiro diz negociar com a Casa Branca um prazo para tentar reverter a medida antes de sua aplicação.
Flávio Bolsonaro entrou no centro da estratégia do governo após a aproximação recente com autoridades americanas. Nas últimas semanas, o senador se reuniu com Trump em Washington e tratou com integrantes do governo americano da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas — agenda que o Planalto passou a explorar como evidência de interferência externa.
O movimento ocorre em um momento de equilíbrio eleitoral. Pesquisa PoderData divulgada na semana passada apontou empate técnico entre Lula e Flávio em eventual segundo turno, com Jair Bolsonaro ainda inelegível e racha aberto no bolsonarismo após o endurecimento do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em relação ao senador.
Senador não comentou
Procurado, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado sobre a fala do presidente. O senador tem espaço aberto para resposta no PIRANOT. A liderança do PL no Senado também não comentou. A acusação de que o senador teria pedido tarifas dos EUA contra o Brasil é uma ilação política do presidente, sem registro oficial divulgado que comprove pedido formal nesse sentido.
A negociação anunciada por Lula com Trump sobre o prazo para um acordo passa a ser o próximo teste do governo para evitar a entrada em vigor da tarifa de 25%, que atinge exportadores brasileiros em setores como siderurgia, manufaturados e agroindústria.











