quarta-feira, junho 3
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Economia

Lula chama Flávio de ‘imbecil’ em reunião ministerial sobre tarifaço

Em encontro no Planalto nesta quarta, presidente associou senador à tarifa de 25% proposta pelos EUA a produtos brasileiros.

· 3 min de leitura · NEXUS A.I. do PIRANOT e Júnior Cardoso

Pontos-chave

  • Discussão tratava da proposta dos EUA de impor tarifa de 25% a produtos brasileiros.
  • Registro foi feito pelo Poder360, mas ata ou gravação oficial não foi localizada.
  • Governo usou o tema para alinhar discurso contra a oposição em ano pré-eleitoral.
  • Flávio é cotado no PL para 2026 enquanto Jair Bolsonaro segue inelegível.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de “imbecil” nesta quarta-feira (3), durante reunião ministerial no Palácio do Planalto convocada para discutir a proposta dos Estados Unidos de aplicar tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A fala mira o pré-candidato do PL à Presidência a quatro meses da eleição e desloca para a mesa do governo a disputa em torno do tarifaço de Donald Trump.

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Segundo registros da cobertura política do encontro, Lula falou por cerca de 20 minutos na abertura da reunião e usou o tarifaço para alinhar o discurso do governo contra a oposição. A ofensiva verbal contra Flávio repete o tom adotado pelo presidente na véspera, em Catalão (GO), quando associou a família Bolsonaro à articulação da taxação americana.

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Tarifaço entrou no eixo eleitoral

A reunião ministerial desta quarta foi descrita como movimento do Planalto para transformar a tarifa de 25% em pauta de campanha, com o governo tratando a medida americana como gesto político alinhado ao bolsonarismo. O tarifaço havia sido anunciado por Trump como retaliação comercial, e o Planalto afirma ter combinado prazo com a Casa Branca para tentar um acordo antes da entrada em vigor.

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Flávio Bolsonaro aparece no centro da estratégia do governo por causa da aproximação recente com autoridades americanas. Nas últimas semanas, o senador se reuniu com Trump em Washington e tratou com integrantes do governo americano da classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas — agenda que o Planalto passou a explorar como evidência de interferência externa.

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O movimento ocorre em um momento de equilíbrio eleitoral. Pesquisa PoderData divulgada na semana passada apontou empate técnico entre Lula e Flávio em eventual segundo turno, com Jair Bolsonaro ainda inelegível e racha aberto no bolsonarismo após o endurecimento de Tarcísio de Freitas em relação ao senador.

Acusação sem documento e silêncio do senador

O que ainda falta para fechar o quadro

A acusação política embutida no xingamento — de que Flávio teria pedido tarifas dos EUA contra o Brasil — não está sustentada por documento público. Não há registro oficial, ata ou correspondência divulgada que comprove pedido formal do senador para que Washington taxasse produtos brasileiros, e a afirmação deve ser lida como ilação do presidente, não como fato comprovado.

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Até o fechamento desta edição, Flávio Bolsonaro não havia se manifestado formalmente sobre a fala de Lula na reunião ministerial. O senador tem espaço aberto para resposta no PIRANOT. Também não foram divulgados pelo Planalto a íntegra do vídeo, a ata do encontro ou nota oficial que delimite o contexto da declaração e a orientação dada aos ministros.

Os próximos passos verificáveis são três: a publicação da gravação ou ata da reunião pelo Planalto, eventual nota de Flávio Bolsonaro e da liderança do PL no Senado, e o desfecho da negociação anunciada por Lula com Trump sobre o prazo para um acordo que evite a entrada em vigor da tarifa de 25%.

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