Dois engenheiros da Amazon pediram nesta quarta-feira (3) que o Seattle City Council imponha limites à instalação de data centers na cidade, no que a Wired classificou como o primeiro ato público do tipo protagonizado por funcionários da empresa nos Estados Unidos.
Identificados como Liesl Wigand, engenheira sênior de software, e Patrick Schloesser, engenheiro de software, os dois usaram o tempo de fala da audiência pública para vincular a expansão da infraestrutura de inteligência artificial ao aumento da pressão sobre energia e água em Seattle. A Amazon não consta do dossiê com manifestação oficial sobre o ato, e não há nos registros disponíveis indicação de que a companhia endosse o pedido dos funcionários.
“Let’s not let big tech burn Seattle to win the AI race.”
Fala atribuída aos engenheiros durante a audiência, conforme registro da Wired.
A cobrança mira limites públicos para instalações que concentram consumo elétrico e demanda hídrica em áreas urbanas. O material disponível, porém, não descreve proposta normativa fechada em tramitação no conselho municipal de Seattle, nem prazo de votação.
Pressão municipal nos EUA contrasta com incentivo no Rio Grande do Sul
O ato em Seattle se soma a outros debates municipais nos Estados Unidos. Em 21 de abril de 2025, o conselho de Jackson, no Mississippi, analisou limites e moratória para data centers em meio à expansão do setor no Estado, conforme registro da imprensa local reunido no dossiê.
No Brasil, o movimento documentado caminha em sentido oposto. Em 2024, o governo do Rio Grande do Sul assinou acordo com a Scala Data Centers para um aporte inicial de R$ 3 bilhões no que o Estado descreve como o primeiro distrito industrial de data centers do país. O dossiê não traz cronograma de obras nem projeção de consumo energético do empreendimento.
O que ainda depende de publicação oficial
Os próximos pontos verificáveis são a divulgação dos registros oficiais da audiência em Seattle e eventual protocolo de proposta formal pelos vereadores. Sem esses documentos, não há base para informar texto regulatório, prazos ou data de votação.
No Brasil, duas lacunas seguem em aberto: a posição da Amazon Brasil sobre a regulação local de data centers e o consumo energético projetado do projeto da Scala no Rio Grande do Sul. As respostas dependem de manifestação das empresas ou da publicação de documentos específicos por órgãos do Estado.











