Os estoques comerciais de petróleo dos Estados Unidos caíram 7,974 milhões de barris na semana encerrada em 29 de maio, recuo quase três vezes maior que o esperado pelo mercado, segundo relatório divulgado nesta quarta-feira (3) pelo Departamento de Energia dos EUA (DoE).
Analistas projetavam baixa de 3,3 milhões de barris. A diferença recoloca a oferta americana no centro da leitura sobre preços internacionais, porque os estoques dos EUA funcionam como termômetro global de oferta e demanda de petróleo.
Com a queda, os estoques comerciais ficaram em 433,712 milhões de barris. Em Cushing, ponto de entrega dos contratos futuros de petróleo nos EUA, o volume recuou 583 mil barris, para 22,441 milhões.
Terceira queda seguida e gasolina em alta
O dado consolida a terceira semana consecutiva de recuo nos estoques americanos. Em 20 de maio, o Departamento de Energia havia registrado baixa de 7,863 milhões de barris. Na semana seguinte, encerrada em 22 de maio, o recuo foi menor: 3,327 milhões de barris, abaixo do esperado pelo mercado.
Apesar do petróleo bruto em baixa, derivados foram na direção contrária. Os estoques de gasolina subiram 3,364 milhões de barris, para 214,955 milhões. Os destilados avançaram 1,502 milhão, para 102,301 milhões. A reserva estratégica dos EUA caiu 7,993 milhões de barris e fechou em 357,119 milhões. Os dados são preliminares e podem ser revisados em boletins subsequentes.
A divulgação ocorre em um cenário internacional já pressionado por restrições de oferta. Em maio, o PiraNOT mostrou que o fechamento do Estreito de Ormuz entrou no terceiro mês e levou o barril a US$ 97, fator que amplia a atenção sobre estoques e rotas de abastecimento.
Brasil sem sinal oficial de repasse
O efeito sobre os combustíveis no Brasil não é automático. O país é importador líquido de derivados e acompanha cotações externas, mas eventual repasse depende da política comercial da Petrobras, monitorada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), que acompanha estoques nacionais em base mensal.
Até o fechamento desta edição, o dossiê não registra publicação oficial da Petrobras ou da ANP relacionando o dado americano a eventuais reajustes internos. O próximo ponto verificável será o boletim semanal seguinte do Departamento de Energia, previsto para 10 de junho, e eventuais comunicados das duas instituições brasileiras.










