Um adolescente de 15 anos foi ferido por uma granada lançada por drone na comunidade da Caixa D’Água, no Complexo da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro, na noite desta sexta-feira (29). O ataque, registrado por volta das 20h, levou a Polícia Civil a instaurar inquérito para apurar autoria e circunstâncias. O estado de saúde do menor, cuja identidade é preservada por lei, não foi divulgado oficialmente, e a existência de outras vítimas não foi confirmada.
O Complexo da Penha é área de histórico domínio do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que, segundo reportagem do Extra publicada em 30 de maio, passou a utilizar drones não apenas para vigilância de rivais e forças policiais, mas também como plataforma de ataque. O episódio desta sexta representa a primeira confirmação pública de um ferimento civil causado por explosivo lançado de drone na região, indicando uma escalada no uso ofensivo da tecnologia.
De observação a ataque: a trajetória dos drones no crime carioca
A prática de utilizar drones para lançamento de granadas por facções criminosas no Rio não é inédita. Em 16 de setembro de 2024, a Polícia Federal, com apoio da Marinha, deflagrou a Operação Buzz Bomb com o objetivo declarado de “coibir o uso de aeronaves remotamente pilotadas por organizações criminosas para lançamento de artefatos explosivos”, conforme nota oficial da PF à época. A operação resultou em apreensões de equipamentos e detenções de suspeitos, mas não interrompeu a tendência.
Nos meses seguintes, o uso de drones por facções se diversificou. Relatos de moradores e registros de inteligência indicam que os aparelhos são empregados para mapear rotas de fuga, monitorar movimentações policiais e, agora, atacar alvos em disputas territoriais. O ataque desta sexta, no entanto, atinge um civil sem vínculo aparente com o conflito, o que amplia o alerta para a segurança de populações que vivem em áreas controladas por grupos armados.
Investigação em andamento e silêncio oficial
A Polícia Civil do Rio ainda não identificou a origem do drone, o grupo responsável ou se havia um alvo específico. As investigações incluem análise de imagens de câmeras de segurança, coleta de fragmentos do artefato explosivo e oitiva de moradores da Caixa D’Água. Qualquer conclusão formal dependerá do avanço das diligências, que estão em estágio inicial.
Até o momento, a Polícia Civil não se pronunciou oficialmente sobre o caso específico, e a Polícia Federal também não comentou o episódio. A apuração desta reportagem baseou-se em registros de imprensa e comunicados públicos, sem acesso a declarações diretas dos envolvidos na investigação, que permanece sob sigilo.
Militarização aérea e o debate sobre segurança urbana
O incidente reacende o debate sobre a capacidade de adaptação das organizações criminosas diante de operações policiais pontuais. A Operação Buzz Bomb, embora bem-sucedida na apreensão de materiais, não conteve a evolução tecnológica do crime. Especialistas em segurança pública apontam que a militarização do espaço aéreo de comunidades, com drones armados, representa um novo patamar de risco para civis, especialmente em áreas de conflito entre facções como o Complexo da Penha.
Para consultar reportagens anteriores sobre o uso de drones por facções e operações de combate, acesse o acervo histórico do PIRANOT.











