O planeta deve registrar novos recordes de temperatura nos próximos cinco anos, segundo relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgado na quinta-feira (28). Há 86% de chance de que pelo menos um ano entre 2026 e 2030 supere 2024 como o mais quente já registrado e 75% de probabilidade de a média do período ultrapassar 1,5°C acima dos níveis pré-industriais — o limiar central do Acordo de Paris.
A análise foi elaborada em parceria com o Met Office, do Reino Unido, e compilada a partir de contribuições de 13 institutos de pesquisa. “Há evidências muito claras de que o clima está aquecendo e que a temperatura média global continua a subir”, afirmou Melissa Seabrook, cientista do Met Office e uma das autoras do estudo.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, classificou as projeções como “mais um sinal vermelho”. “Estamos temporariamente ultrapassando o limite de 1,5°C com frequência cada vez maior, o que coloca em risco ecossistemas e comunidades vulneráveis”, declarou, em entrevista à agência Associated Press.
O relatório indica que a temperatura média global entre 2026 e 2030 deve variar de 1,3°C a 1,9°C acima do período pré-industrial. O Ártico continuará aquecendo mais rápido que a média global, fenômeno associado pelos cientistas ao derretimento acelerado de geleiras e à intensificação de eventos climáticos extremos. A queima de carvão, petróleo e gás permanece como principal causa do aquecimento observado.
Os 11 anos mais quentes da série histórica foram registrados entre 2015 e 2025, segundo a OMM. O efeito do El Niño, que ajudou a empurrar os picos recentes, deve perder força no período analisado, mas as temperaturas tendem a permanecer elevadas em razão do acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera.
A probabilidade de exceder temporariamente 1,5°C em pelo menos um ano chega a 91%, segundo a OMM. O número não equivale a uma violação permanente do Acordo de Paris, que considera médias de longo prazo, mas pressiona os países signatários a apresentar metas mais ambiciosas de redução de emissões na próxima rodada de negociações climáticas da ONU.
Para o Brasil, as projeções reforçam a preocupação com a Amazônia, cujo papel como sumidouro de carbono vem sendo erodido pelo desmatamento e pelas secas recorrentes. O aquecimento adicional tende a ampliar a frequência de estiagens e enchentes, com impacto direto sobre a produção agrícola e a segurança hídrica das grandes cidades.











