quarta-feira, junho 3
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Rafard (SP)

Ministério Público investiga empresa da região de Piracicaba por R$ 1 bilhão em notas fiscais falsas para PCC

· 3 min de leitura · Por Andrey Moral

Pontos-chave

  • Segunda fase da Carbono Oculto investiga esquema de R$ 26 bilhões em fraudes e lavagem no setor de combustíveis
  • Seis fintechs atuavam como bancos paralelos para ocultar recursos ilícitos, com R$ 365 milhões em criptoativos suspeitos
  • Adulteração de combustíveis com nafta petroquímica causou prejuízo de R$ 200 milhões em tributos sonegados

A Receita Federal, em conjunto com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), por meio do Gaeco, deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação “Fluxo Oculto”, segunda fase da megaoperação “Carbono Oculto”, considerada uma das maiores ações de combate ao crime organizado já realizadas no país.

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A investigação apura um sofisticado esquema de fraudes, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis, envolvendo distribuidoras, postos, fintechs e fundos de investimentos. Segundo as autoridades, o grupo criminoso teria movimentado mais de R$ 26 bilhões entre os anos de 2022 e 2025.

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A operação ocorre em parceria com a Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo (Sefaz-SP), Agência Nacional do Petróleo (ANP), Procuradoria-Geral do Estado e forças das Polícias Civil e Militar.

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Ao todo, estão sendo cumpridos 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros: São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

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Fintechs eram usadas como “bancos paralelos”

De acordo com as investigações, após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, foram descobertas mais seis fintechs que funcionavam como verdadeiros bancos paralelos da organização criminosa.

As empresas eram utilizadas para ocultar recursos ilícitos, realizar compensações financeiras entre postos e distribuidoras, além de efetuar pagamentos pessoais e movimentações milionárias sem rastreamento adequado.

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Uma das principais preocupações dos investigadores é o uso das chamadas “contas bolsão”, mecanismo utilizado para dificultar a identificação dos reais beneficiários das transações financeiras.

Segundo a Receita Federal, apenas uma dessas fintechs recebeu mais de R$ 1 bilhão em depósitos em dinheiro vivo entre 2022 e 2024 — movimentação considerada incompatível com operações normais de instituições de pagamento.

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As autoridades também identificaram movimentações de pelo menos R$ 365 milhões em criptoativos ligados a empresas suspeitas de lavagem de dinheiro.

Adulteração de combustíveis causou prejuízo milionário

Outro foco da operação é o esquema de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica, um solvente derivado do petróleo.

Segundo as investigações, empresas de fachada simulavam a compra da substância para uso industrial, mas o produto era desviado para terminais de armazenamento e misturado ilegalmente aos combustíveis vendidos em postos.

A prática teria causado prejuízo superior a R$ 200 milhões em tributos supostamente sonegados em apenas dois anos.

As investigações apontam ainda que os lucros obtidos com o esquema eram enviados para fundos de investimentos, utilizados para ocultar patrimônio e dificultar o rastreamento financeiro.

Quatro fundos investigados possuem patrimônio estimado em cerca de R$ 205 milhões, com crescimento superior a 200% em pouco mais de um ano.

Operação mobilizou centenas de agentes

A ofensiva mobilizou cerca de 135 auditores-fiscais, analistas tributários e servidores da Receita Federal, além de dezenas de agentes dos órgãos parceiros.

As autoridades destacaram que a operação busca não apenas combater a lavagem de dinheiro e a sonegação fiscal, mas também proteger consumidores contra fraudes e adulterações no setor de combustíveis.

Será concedida entrevista coletiva sobre a Operação Fluxo Oculto nesta quinta-feira, 10h, no edifício sede do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

Foto: Gaeco
Foto: Divulgação
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