O Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS) anunciou, nesta sexta-feira (22), que estrangeiros com vistos temporários nos EUA deverão retornar aos seus países de origem para solicitar o green card, documento que garante residência permanente no país. A decisão, formalizada por memorando do Departamento de Segurança Interna (DHS) datado de 21 de maio, altera significativamente o processo de ajuste de status migratório que permitia, até então, que solicitações fossem feitas dentro do território americano.
Segundo comunicado oficial do USCIS, a medida visa alinhar o sistema imigratório à legislação vigente. “A partir de agora, um estrangeiro que esteja temporariamente nos EUA e queira obter green card deve retornar ao seu país de origem para fazer a solicitação. Essa política permite que nosso sistema de imigração funcione conforme a lei prevê”, afirma o texto divulgado pelo órgão. A orientação representa uma ruptura com a prática consolidada de processamento interno de pedidos de residência permanente, que permitia que estrangeiros já em território americano regularizassem sua situação sem precisar sair do país.
A regra atinge especificamente detentores de vistos temporários das categorias B-2 (turismo), F-1 (estudante), H-1B e H-2B (trabalho temporário). O memorando prevê, no entanto, a possibilidade de exceções extraordinárias, avaliadas caso a caso pelos agentes migratórios. “Orienta os agentes migratórios a considerar fatores e informações relevantes caso a caso ao determinar se é justificada uma dispensa extraordinária”, consta no documento oficial do USCIS. A nova diretriz estabelece que cada solicitação de exceção será analisada individualmente, sem critérios predeterminados automáticos.
Para brasileiros que utilizavam a estratégia de entrada com visto de turismo para posterior solicitação de residência permanente, a nova regra impõe um obstáculo logístico e financeiro significativo. O retorno ao país de origem implica custos de viagem internacional, interrupção de atividades profissionais e acadêmicas, e incerteza sobre o tempo de processamento consular, que tende a ser mais demorado que o ajuste de status interno. Segundo especialistas em imigração ouvidos pela imprensa, o processamento consular pode levar de meses a anos, dependendo do país e da categoria de visto solicitada.
A medida integra um conjunto mais amplo de ações implementadas pelo governo Trump ao longo do último ano para endurecer as regras de imigração. Em abril de 2026, os EUA anunciaram a revisão de green cards já aprovados. Em agosto de 2025, foi determinada a exclusão de imigrantes ilegais do Censo. Pesquisa conduzida em maio de 2026 indica que 60% dos americanos percebem o país como menos acolhedor para imigrantes. O endurecimento de políticas nos EUA tem se estendido a outras áreas, como mostrou reportagem anterior do PIRANOT sobre negociações nucleares americanas.
O anúncio desta sexta-feira intensifica a incerteza para milhares de brasileiros que estavam em processo de regularização ou planejavam iniciar a solicitação do green card. Não há, até o momento, dados oficiais sobre o número de brasileiros impactados pela medida, tampouco clareza sobre os critérios específicos para concessão de exceções. O texto integral do memorando do DHS não foi disponibilizado publicamente, segundo informações da imprensa internacional. Associações de imigrantes brasileiros nos EUA aguardam maiores esclarecimentos sobre os procedimentos de transição e as possibilidades de recurso judicial contra a nova regra.
Especialistas em imigração ouvidos pela imprensa alertam que a regra pode aumentar o risco de deportação para quem já está em território americano com visto temporário e intenções de solicitar residência permanente. A orientação prática, segundo advogados consultados, é buscar assessoria jurídica especializada antes de qualquer movimentação, uma vez que a saída do país pode impossibilitar o retorno durante o período de processamento do pedido. O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre a medida.
O que esperar agora
A implementação da nova regra dependerá de instruções operacionais complementares do USCIS e do DHS, incluindo prazos de transição e procedimentos para solicitação de exceções. Advogados especializados em imigração antecipam que a medida pode enfrentar contestações judiciais, com argumentos de que a alteração do processo de ajuste de status pode violar direitos adquiridos ou princípios administrativos. O acompanhamento dos canais consulares brasileiros e das associações de imigrantes será essencial nos próximos dias para compreender o impacto real sobre a comunidade brasileira nos EUA.
Quem já iniciou o processo de ajuste de status deve buscar orientação específica, pois as regras de transição ainda não foram esclarecidas pelo governo americano. A recomendação é manter documentação atualizada e evitar viagens internacionais enquanto não houver clareza sobre a aplicação da nova diretriz a processos em andamento.











