A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), declarou nesta terça-feira (26) que “Pernambuco não tem dono”, em referência indireta ao ex-prefeito do Recife João Campos (PSB), seu principal adversário nas eleições de 2026. Em evento público, Lyra citou parcerias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para obras estruturais no estado, como a Transnordestina, a Refinaria Abreu e Lima e a Adutora do Agreste.
O PT mantém apoio formal a João Campos para o governo estadual, mas vozes do partido em Pernambuco têm manifestado aprovação aos gestos da governadora em relação a Lula. O presidente obteve 67% dos votos em Pernambuco em 2022.
O Ministério do Desenvolvimento Regional publicou nota oficial reconhecendo 22 municípios pernambucanos em situação de emergência. O documento reafirma “apoio integral ao estado” e reconhece “todo o esforço e a coordenação da governadora Raquel Lyra” nas ações de resposta às chuvas. A Secretaria de Comunicação da Presidência informou que Lula determinou o envio de equipe federal para garantir socorro e assistência.
Disputa pelo eleitorado lulista
A declaração de Lyra se insere em um cenário de rearticulação de alianças para 2026. Pernambuco, sétimo colégio eleitoral do Brasil com aproximadamente 7,5 milhões de eleitores, é historicamente petista, mas foi governado por décadas pelo PSB da família Campos. Raquel Lyra migrou do PSDB para o PSD e rompeu com o grupo Campos em 2022.
A ex-deputada Marília Arraes (PDT), pré-candidata ao Senado na chapa de João Campos, afirmou não ver problema em Lyra também apoiar a reeleição de Lula. Já o deputado Pedro Campos (PSB) criticou a postura da governadora, classificando-a como “em cima do muro” sobre o apoio ao petista. O ex-ministro Humberto Costa (PT) disse que seria “natural” a governadora apoiar Lula, e o deputado Doriel Barros (PT) aprovou os gestos de Lyra em relação ao presidente.
Posicionamento do PT e do Palácio do Planalto
O presidente deve evitar palanques em Pernambuco, tanto no de Raquel Lyra quanto no de João Campos, conforme análise do cenário político. O PT apoia formalmente Campos em alinhamento com a conjuntura nacional, mas há manifestações divergentes no partido local. A executiva nacional do PT não se posicionou oficialmente sobre as alianças estaduais, e a Presidência da República não emitiu declaração sobre o episódio.
Raquel Lyra tem buscado consolidar uma imagem de gestão voltada para obras e parcerias, enquanto João Campos se coloca como “soldado de Lula” e herdeiro político do PSB. A disputa reflete um movimento nacional de partidos centrais como PSD e PSB em busca do eleitorado lulista em estados estratégicos.











